Foto: Reprodução/TV Globo
Os roubos a farmácias aumentaram significativamente no Rio de Janeiro em 2025, segundo dados da Polícia Civil. Em apenas uma delegacia, a de Jacarepaguá, foram registrados mais de 20 casos desde o início do ano, com um padrão que tem preocupado as autoridades: as quadrilhas estão focando nas canetas emagrecedoras, medicamentos de alto valor no mercado.
As investigações apontam que os criminosos atuam em grupos organizados, com ações planejadas durante a noite ou madrugada, quando o movimento é menor. O objetivo é sempre o mesmo — roubar cosméticos, produtos dermatológicos e, principalmente, as canetas emagrecedoras armazenadas em geladeiras.
Um vídeo de segurança de uma farmácia no bairro do Catete, gravado em 27 de setembro, mostra um grupo com quatro mulheres e um homem invadindo o local por volta das 3h da manhã. Eles se dividem rapidamente: enquanto uma integrante saqueia cosméticos, outra vai direto à área refrigerada em busca das canetas.
Prejuízo milionário e prisão de integrante de quadrilha
De acordo com o delegado Ricardo Barboza de Souza, responsável pelo caso, duas grandes quadrilhas atuam na cidade e se ramificam em pequenos grupos que seguem o mesmo modo de operação.
“Nós conseguimos identificar dois grandes grupos que vêm atuando e esses grupos se ramificam, com ações coordenadas e foco em produtos específicos”, afirmou o delegado.
Na última sexta-feira (7), a polícia prendeu Hadassa Vitória, apontada como integrante de uma das quadrilhas. Ela foi identificada em mais de 10 roubos e, segundo as investigações, o grupo do qual fazia parte provocou um prejuízo estimado em R$ 3 milhões às redes de farmácias.
Em apenas uma das ações, os criminosos levaram cerca de R$ 400 mil em medicamentos e cosméticos, incluindo canetas emagrecedoras. A polícia segue na busca por outros integrantes e acredita que parte dos produtos seja revendida em comércios clandestinos e redes sociais.
Crescimento dos roubos preocupa autoridades e setor farmacêutico
As canetas emagrecedoras, que contêm substâncias como semaglutida e liraglutida, têm alto valor de revenda, o que as torna alvo frequente de furtos e roubos em todo o país. O mercado paralelo desses medicamentos tem crescido com a alta procura e a escassez em drogarias.
Além do prejuízo financeiro, o setor farmacêutico alerta para os riscos à saúde de quem compra medicamentos sem procedência. As canetas roubadas podem ser armazenadas de forma inadequada, perdendo sua eficácia ou apresentando risco de contaminação.
A Polícia Civil do Rio afirma que as operações continuarão para desarticular as quadrilhas e reforçar a segurança em farmácias, principalmente nas zonas Norte e Oeste, onde a maioria dos casos foi registrada.