Cameron Golinsky — Foto: Divulgação
A Polícia Civil do Rio de Janeiro identificou um dos suspeitos de aplicar o golpe do “Boa noite, Cinderela” contra o turista canadense Cameron Golinsky, de 35 anos, dopado e roubado em Ipanema, Zona Sul do Rio, no fim de outubro.
O caso, investigado pela 12ª DP (Copacabana), aponta que o criminoso já possuía mandado de prisão em aberto pelo mesmo tipo de crime.
A polícia agora vai pedir um novo mandado para garantir sua prisão preventiva.
Nas redes sociais, Golinsky relatou que viveu “a experiência mais traumática da minha vida” ao ser drogado e acordar dois dias depois nu, desorientado e com sinais de agressão física. O episódio ocorreu em 26 de outubro, e ele só recobrou a consciência no dia 28.
Como o crime aconteceu
Segundo o delegado Ângelo José Lages Machado, titular da 12ª DP, a vítima contou que conheceu dois homens em um bar e aceitou uma cerveja oferecida por eles.
Minutos depois, perdeu a consciência e só despertou dias depois com prejuízo de R$ 16 mil em bens e dinheiro.
“Ele realizou exame de corpo de delito. Vamos ouvi-lo novamente e aprofundar a investigação”, afirmou o delegado.
Imagens de câmeras de segurança próximas ao local ajudaram na identificação de um dos suspeitos, já conhecido da polícia e procurado por outros golpes semelhantes.
O homem, segundo a investigação, atuava em áreas turísticas da Zona Sul, mirando estrangeiros desacompanhados.
Golpe do “Boa noite, Cinderela” cresce no Rio
O chamado “Boa noite, Cinderela” consiste em diluir substâncias entorpecentes em bebidas para dopar vítimas e roubar seus pertences.
Em alguns casos, há suspeita de abuso sexual, o que pode agravar a pena dos autores.
Nos últimos meses, a polícia registrou aumento nos casos envolvendo turistas estrangeiros, especialmente em Copacabana, Lapa e Ipanema.
A Delegacia do Turista (Deat) e a 12ª DP monitoram grupos especializados que agem em bares, aplicativos de encontros e festas privadas.
Especialistas alertam que o uso de substâncias como benzodiazepínicos e cetamina é comum nesses crimes, pois causam amnésia e perda de controle motor, dificultando o relato posterior das vítimas.
Investigação segue em andamento
A Polícia Civil informou que segue analisando novas imagens e cruzando dados bancários da vítima para rastrear transferências e pagamentos feitos após o golpe.
Outros suspeitos já foram identificados informalmente, e a polícia busca localizar redes de receptação que revendem celulares e cartões roubados de estrangeiros.
A Embaixada do Canadá foi notificada e acompanha o caso por meio do Itamaraty.
Golinsky, que retornou ao seu país, mantém contato com as autoridades brasileiras e deve participar de novas oitivas por videoconferência.