A comunidade do Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, enfrentou intenso tiroteio na madrugada deste sábado (28/6). A Polícia Militar patrulhava a área para impedir novos ataques de grupos criminosos quando se deparou com homens fortemente armados na Avenida Pastor Martin Luther King Jr. Após intensa troca de tiros, quatro suspeitos morreram e cinco fuzis foram apreendidos.
Além dos fuzis com numeração raspada, os policiais apreenderam uma pistola 9 mm. Os envolvidos nos confrontos estariam ligados ao tráfico no Complexo da Penha e atuam diretamente nos conflitos entre Juramentinho e Juramento.
Moradores no fogo cruzado
Moradores relataram momentos de terror. Casas foram atingidas por dezenas de disparos, com relatos de inocentes encurralados dentro de suas residências. Em vídeos, é possível ver paredes marcadas por tiros e pessoas tentando se proteger.
A violência interrompeu serviços básicos. Escolas da região fecharam as portas e unidades de saúde suspenderam o atendimento. O Metrô também teve acessos bloqueados por segurança.
Mortes e feridos se acumulam
Na sexta-feira (27), dois corpos foram encontrados próximos ao morro, incluindo um jovem de 19 anos. No dia anterior, um morador foi baleado no pé enquanto tentava voltar para casa. Em maio, uma mulher de 56 anos morreu após ser atingida na cabeça durante tiroteio.
A Polícia Militar manteve o reforço no patrulhamento com apoio de veículos blindados e unidades do 1º Comando de Policiamento de Área. A Delegacia de Homicídios investiga os casos.
Violência se estende ao Morro do Fubá
A cerca de seis quilômetros do Juramento, o Morro do Fubá também enfrenta cinco dias de tiroteios. Moradores relatam noites sem dormir e pânico constante. A guerra entre CV e TCP ganhou força após a morte de um traficante ligado ao Comando Vermelho no Morro do 18.
Cinco suspeitos foram presos após perseguição na Avenida Brasil. Eles transportavam armamento pesado e, segundo a PM, fazem parte do tráfico no Morro do São Carlos.
Hierarquia do crime e investigações
As investigações apontam que a guerra é comandada por líderes do Comando Vermelho. O Morro do Juramento seria dominado por Diego Lopes Lacerda, conhecido como Mucefim, que atua sob ordens de Edgar Alves de Andrade, o Doca. Considerado um dos líderes mais violentos da facção, Doca tem dezenas de mandados de prisão e coordena o tráfico em várias regiões da cidade.
Relatórios da Polícia Civil indicam que o CV usa estratégias cruéis para consolidar domínio, como execuções transmitidas por celular e disseminadas em redes sociais. Uma mulher chegou a ser usada como isca em emboscada contra rivais do TCP, que foram torturados e executados.
Fontes:
metropoles.com
noticias.uol.com.br