Na madrugada desta terça-feira (3), a Polícia Militar deflagrou uma operação de grande porte no Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A ação, iniciada por volta das 4h30, provocou um tiroteio intenso e levou ao bloqueio temporário da Avenida Brasil, uma das principais vias expressas da cidade.
A PM confirmou a operação em cinco comunidades: Cidade Alta, Parada de Lucas, Vigário Geral, Pica-Pau e Cinco Bocas. As áreas são controladas por Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como “Peixão”, líder da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP).
Avenida Brasil é fechada e transporte público sofre paralisação
Por motivos de segurança, a Avenida Brasil foi fechada nos dois sentidos entre Vigário Geral e Penha às 4h42. A via reabriu por volta das 5h24, conforme informou o Centro de Operações Rio.
Enquanto isso, a circulação de trens foi drasticamente afetada. A SuperVia interrompeu parcialmente os serviços. Trens com destino à Central do Brasil pararam na estação Duque de Caxias. Já os trens que seguiam para Saracuruna e Gramacho encerraram o trajeto na estação Penha. A circulação normal só foi retomada por volta das 8h.
Além disso, os ônibus do BRT também operaram com horários irregulares. As linhas 60, 61 e 71, no corredor Transbrasil, enfrentaram atrasos por mais de uma hora. A Mobi-Rio confirmou que os serviços foram restabelecidos às 6h30.
Educação e saúde paralisadas em meio à ação policial
A Secretaria Municipal de Educação informou que 17 escolas nas comunidades afetadas suspenderam as aulas. As unidades ficam em Cidade Alta, Parada de Lucas, Vigário Geral e Cinco Bocas.
Além disso, três unidades de saúde também tiveram os serviços prejudicados. Duas clínicas da família atrasaram o início das atividades e uma suspendeu ações externas, como visitas domiciliares.
Peixão: o criminoso por trás do caos
Conhecido por seu radicalismo e intolerância religiosa, Álvaro Malaquias Santa Rosa — o Peixão — lidera o TCP e é considerado um dos bandidos mais perigosos do estado. Contra ele, existem sete mandados de prisão e pelo menos 20 inquéritos ativos.
Peixão se autointitula “Arão”, figura bíblica ligada ao profeta Moisés, e impõe à sua facção o uso de símbolos judaicos. O nome “Complexo de Israel” teria sido adotado por ele como referência à “terra prometida”.
As autoridades também investigam sua ligação com atos classificados como terrorismo. Em outubro do ano passado, ele teria ordenado ataques contra a Avenida Brasil, a Linha Vermelha e a Rodovia Washington Luiz, resultando na morte de três inocentes e ferimentos em outras três pessoas.
Fontes: odia.ig.com.br/g1.globo.com