Na manhã desta segunda, viaturas da PM foram posicionadas em diversos pontos do bairro – Foto: Reprodução/TV Globo
A manhã desta segunda-feira (14) foi marcada por intensos tiroteios em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A onda de violência ocorre dois dias após a morte de Pedro Paulo Lucas Adriano do Nascimento, conhecido como Titauro, durante uma operação da Polícia Militar no Morro dos Macacos. Desde sexta-feira (11), moradores relatam confrontos diários, que têm gerado pânico e dificultado o deslocamento de trabalhadores e estudantes na região.
Ação policial e reação violenta
Segundo informações da Polícia Militar, Titauro, de 25 anos, foi baleado durante um confronto com policiais do 6º BPM (Tijuca) e não resistiu aos ferimentos. A corporação aponta que ele era um dos líderes do tráfico de drogas no Morro dos Macacos, favela considerada estratégica por conectar a Zona Norte à Zona Oeste pela Floresta da Tijuca.
Desde a morte do criminoso, traficantes têm retaliado com tiroteios quase ininterruptos, especialmente durante as madrugadas. Na manhã de hoje, viaturas da PM foram posicionadas em diversos acessos à comunidade, com o objetivo de conter novos confrontos.
Disputa entre facções agrava tensão
A escalada da violência na região reflete a disputa entre o Terceiro Comando Puro (TCP), facção tradicionalmente dominante no Morro dos Macacos, e o Comando Vermelho (CV), que comanda o vizinho Morro São João, no Engenho Novo. Informações da inteligência da PM indicam que Titauro teria trocado de facção no início do ano, passando a atuar pelo Comando Vermelho e liderar investidas para retomar o controle da comunidade.
O Morro dos Macacos é considerado território estratégico pelo CV, justamente por sua localização geográfica privilegiada, que facilita o trânsito de armas e drogas entre diferentes zonas da cidade.
População vive sob tensão
Em redes sociais, moradores relatam noites de terror, cancelamento de aulas e medo constante. Muitas pessoas deixaram de sair de casa nesta segunda-feira, e o comércio amanheceu com diversas lojas fechadas. Linhas de ônibus também foram afetadas, com alterações no itinerário e paralisações temporárias.
“Já são quatro dias dormindo com medo e acordando com barulho de tiros. Não sabemos quando isso vai acabar”, disse uma moradora que pediu anonimato por medo de retaliações.
Fonte: temporealrj.com