Uma operação das forças de segurança do Rio de Janeiro revelou um esquema criminoso estruturado pelo Comando Vermelho na Lapa, região central e um dos principais polos turísticos da cidade. A investigação aponta que traficantes invadiam imóveis, cobravam taxas de comerciantes e torturavam dependentes químicos, além de controlar a venda de drogas em áreas de grande circulação.
A ação, batizada de Operação Colmeia, foi deflagrada nesta terça-feira (16) e resultou na prisão de diversos suspeitos. O grupo atuava em locais estratégicos como os Arcos da Lapa e a Escadaria Selarón, explorando o fluxo intenso de turistas e frequentadores da vida noturna.
Esquema envolvia tortura e controle violento da região
Durante as investigações, a Polícia Civil teve acesso a vídeos gravados pelos próprios criminosos, que mostram dependentes químicos sendo amarrados e agredidos em sessões de tortura.
Segundo os investigadores, os traficantes chegavam a decidir se a vítima seria morta ou não, evidenciando o grau de violência imposto pelo grupo.
Esse tipo de prática reforça o controle territorial exercido pela facção, que utiliza a intimidação para manter o domínio sobre os pontos de venda de drogas na Lapa.
Comerciantes eram obrigados a pagar “taxa” diária
Outro ponto revelado pela investigação foi a extorsão de comerciantes. Ambulantes que trabalham próximos à Escadaria Selarón eram obrigados a pagar uma espécie de “taxa” diária para continuar atuando na região.
- Valor cobrado: até R$ 130 por dia
- Número de vítimas: cerca de 50 comerciantes
- Lucro estimado: R$ 200 mil
Os pagamentos eram feitos por transferências bancárias para contas ligadas a integrantes da quadrilha.
Tráfico invadia imóveis e montava “feirão” de drogas
A polícia identificou que o grupo criminoso também invadia casarões abandonados, transformando-os em pontos de venda de drogas.
Em alguns casos, a comercialização ocorria abertamente nas ruas, com filas de usuários, em uma espécie de “feirão” de entorpecentes.
A logística do tráfico funcionava da seguinte forma:
- drogas eram preparadas no Fallet-Fogueteiro
- transporte feito por táxis, mototáxis e “mulas”
- uso frequente de mulheres na distribuição
- mudanças constantes de pontos para evitar ações policiais
Estrutura organizada e atuação em pontos turísticos
A investigação aponta que o esquema possuía uma estrutura hierárquica bem definida, com divisão de funções como:
- chefes do tráfico
- gerentes operacionais
- responsáveis pela logística
- olheiros e sistema de alerta
Além disso, o grupo utilizava estabelecimentos comerciais como apoio logístico e financeiro.
A atuação em pontos turísticos da Lapa chama atenção pelo impacto direto na segurança de moradores e visitantes.
Operação Colmeia e denúncias do Ministério Público
A ação policial cumpriu mandados de prisão e busca contra dezenas de suspeitos ligados ao esquema criminoso.
Ao mesmo tempo, o Ministério Público denunciou integrantes do Comando Vermelho por:
- tráfico de drogas
- associação criminosa
- atuação em área turística
- uso de adolescentes no crime
Todos os denunciados se tornaram réus na Justiça.
Liderança do esquema e símbolos da facção
As investigações apontam que o tráfico na Lapa era comandado por lideranças conhecidas da facção.
Os criminosos utilizavam referências simbólicas, como:
- emojis de abelha e mel
- menções a grupos internos
- pinturas em muros da região
Esses elementos funcionavam como marcação territorial e identidade do grupo criminoso.
Impacto na segurança e no turismo da Lapa
A Lapa é um dos principais cartões-postais do Rio de Janeiro, recebendo milhões de visitantes por ano. A presença do tráfico organizado em pontos turísticos levanta preocupações sobre:
- segurança pública
- impacto no turismo
- exploração ilegal de comerciantes
- violência urbana
O caso reforça o desafio das autoridades em combater o crime organizado em áreas de grande circulação.