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Presidente dos EUA comunica novas taxas a países do Brics e estabelece prazo até 1º de agosto.

O presidente dos EUA, Donald Trump. – (ANDREW CABALLERO-REYNOLDS/AFP)
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou sua estratégia de protecionismo econômico e anunciou uma nova rodada de tarifas contra países que integram o Brics e outras nações emergentes. Segundo o republicano, ao menos sete países já receberam cartas com os detalhes das tarifas. Outras quinze a vinte notificações estão previstas para os próximos dias.

A ofensiva inclui taxas de 10% sobre todas as importações dos países do Brics, 50% para produtos derivados do cobre e até 200% para medicamentos importados. Trump deixou claro que o prazo final para aplicação das tarifas é 1º de agosto de 2025 e descartou qualquer nova prorrogação.

Alvo principal: o Brics

Durante reunião de gabinete na Casa Branca, Trump justificou a medida como uma forma de proteger o dólar americano e a soberania econômica dos Estados Unidos. Para ele, o Brics foi criado “para nos prejudicar” e “degenerar o dólar”, numa referência ao projeto de criação de uma moeda própria defendido por alguns líderes do bloco, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Trump avisou que qualquer nação que adotar “políticas antiamericanas alinhadas ao Brics” será taxada automaticamente. “Se eles forem membros do Brics, terão que pagar uma tarifa de 10%, só por isso – e aí não serão membros por muito tempo”, disse.

Reações internacionais e impacto nos mercados

A declaração gerou forte repercussão global. A China criticou o uso de tarifas como ferramenta de coerção econômica. A Rússia afirmou que o Brics “nunca atuou contra terceiros”. A África do Sul reiterou que o grupo busca apenas reformar a ordem multilateral, sem intenções de confronto.

Lula rebateu Trump e defendeu a autonomia dos países do Brics. “Não aceitamos intromissão de quem quer que seja. Defendemos o multilateralismo e a cooperação entre os povos”, declarou.

As bolsas reagiram de forma negativa à escalada da tensão comercial. O dólar subiu a R$ 5,47, enquanto o Ibovespa recuou 0,73%, fechando abaixo dos 139 mil pontos. Investidores temem que o aumento de tarifas pressione os custos de importação e infle a inflação global, o que pode impactar as taxas de juros nos Estados Unidos e no mundo.

Consequências econômicas e riscos para o Fed

A possibilidade de inflação provocada pelas tarifas é um fator de preocupação para o Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA. Analistas esperam que a ata da última reunião do Fed, prevista para esta semana, traga novas pistas sobre a política de juros. O presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que é preciso “esperar e observar” os efeitos das tarifas antes de qualquer redução nas taxas.

Brasil e o impasse do IOF

No Brasil, a instabilidade externa coincide com discussões internas sobre o aumento do IOF. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reuniu-se com o presidente da Câmara, Hugo Motta, para tentar uma solução negociada. O Supremo Tribunal Federal suspendeu três decretos que elevavam o imposto. Novas reuniões estão previstas para os próximos dias.

Fontes:
g1.globo.com
veja.abril.com.br

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