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Pesquisadores alertam para o aumento de casos do Candida auris e do Trichophyton indotineae no país.

Fungo Candida auris (Foto: Centers For Disease Control and Prevention (CDC))

O Brasil enfrenta um avanço preocupante de superfungos resistentes, com surtos hospitalares e casos na comunidade. Autoridades sanitárias e pesquisadores alertam para o risco crescente das infecções causadas pelo Candida auris e pelo Trichophyton indotineae, microrganismos altamente resistentes aos tratamentos convencionais.

Enquanto o primeiro já causou surtos em hospitais e apresenta alta taxa de mortalidade, o segundo provoca micoses extensas e de difícil tratamento. A disseminação desses patógenos representa uma ameaça à saúde pública e exige medidas rigorosas de controle.

Primeiro caso de Trichophyton indotineae no Brasil

Pesquisadores da Santa Casa de São Paulo e da USP identificaram o primeiro caso brasileiro de infecção pelo Trichophyton indotineae, um fungo que causa dermatofitoses severas e resistentes a medicamentos.

O paciente, um brasileiro de 40 anos que vive em Londres, procurou atendimento dermatológico em Piracicaba (SP) após meses de recorrência da infecção. Ele havia viajado recentemente para países da Europa e apresentou lesões descamativas e pruriginosas nas pernas e nádegas.

Inicialmente, os exames identificaram erroneamente o fungo como T. mentagrophytes. Após a persistência da infecção, especialistas da Santa Casa encaminharam o caso ao Instituto de Medicina Tropical da USP, onde foi confirmada a presença do T. indotineae.

O tratamento teve que ser ajustado para combater a resistência do fungo. Especialistas destacam que a automedicação e o uso incorreto de antifúngicos podem induzir mutações e tornar os patógenos mais resistentes.

Surto de Candida auris em hospital de São Paulo

O Hospital do Servidor Público Estadual, na zona sul de São Paulo, enfrenta um surto de Candida auris, um superfungo hospitalar altamente resistente e de difícil erradicação.

Desde janeiro de 2025, foram identificados 14 casos de colonização – quando o fungo está presente, mas não causa infecção – e um caso de infecção. O paciente infectado, um idoso de 73 anos, faleceu, mas o hospital atribuiu o óbito a complicações cirúrgicas.

O Candida auris é particularmente perigoso porque:

  • Sobrevive por longos períodos em superfícies hospitalares, aumentando o risco de contaminação;
  • Forma biofilmes altamente resistentes a antifúngicos;
  • Apresenta resistência a até 90% dos medicamentos antifúngicos disponíveis;
  • Causa infecções invasivas fatais, principalmente em pacientes imunossuprimidos.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) classificou o surto como uma ameaça significativa à saúde pública e reforçou a necessidade de controle rigoroso para evitar a disseminação do fungo.

Riscos e medidas preventivas

O avanço dos superfungos no Brasil reforça a necessidade de melhorar as políticas de prevenção e controle de infecções. O uso indiscriminado de antifúngicos e alterações climáticas podem estar favorecendo o surgimento de cepas mais resistentes.

Nos hospitais, o controle deve incluir:

  • Isolamento de pacientes infectados em quartos individuais;
  • Higienização rigorosa de equipamentos e superfícies hospitalares;
  • Treinamento especializado para profissionais da saúde;
  • Monitoramento contínuo para identificação precoce de novos casos.

Na comunidade, dermatologistas recomendam que pacientes com micoses persistentes evitem automedicação e busquem diagnóstico especializado para evitar complicações.

Fontes:
brasil247.com
infomoney.com.br

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