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Presidente dos EUA endurece tom contra Pequim, enquanto mercados globais despencam e países buscam acordos para evitar tarifas.

Foto: Reuters

As tensões comerciais entre Estados Unidos e China atingiram novos patamares após o presidente Donald Trump ameaçar tarifas de até 104% sobre produtos chineses. O governo norte-americano aguarda uma resposta oficial de Pequim antes de aplicar as novas medidas. Apesar das ameaças, Trump sinalizou abertura para negociação.

Os mercados globais reagiram de forma negativa à escalada tarifária. Bolsas da Ásia, Europa e América registraram fortes quedas, ampliando temores de uma recessão global. A Bolsa de Hong Kong caiu mais de 13%, enquanto o índice CSI 1000 da China perdeu 11%. O Ibovespa recuou 1,43% e o dólar subiu para R$ 5,91.

China promete retaliar: “Lutaremos até o fim”

O Ministério do Comércio da China classificou as tarifas dos EUA como “infundadas” e prometeu novas retaliações. A declaração veio após Trump anunciar que aumentaria em 50% as tarifas sobre importações chinesas, caso Pequim não recuasse de uma medida semelhante anunciada na semana anterior.

“A ameaça dos EUA de escalar tarifas é um erro sobre outro erro”, afirmou o ministério chinês em nota oficial. Pequim garante que está pronta para adotar “contramedidas resolutas”, inclusive em defesa da ordem do comércio internacional.

Trump: “A China quer acordo, mas não sabe como começar”

Nas redes sociais, Trump afirmou que espera um contato da China para retomar as negociações. “A China também quer muito fazer um acordo, mas não sabe como começar. Estamos aguardando a ligação deles. Isso vai acontecer!”, publicou o presidente.

Apesar da postura agressiva, Trump indicou que negociações seguem em andamento com outros países como Japão, Coreia do Sul, Indonésia e Vietnã. Este último, inclusive, solicitou 45 dias de adiamento para as tarifas.

Empresas e consumidores se preparam para impactos

Fabricantes e varejistas já sentem os efeitos das novas tarifas. A Micron, gigante de chips, vai repassar custos aos consumidores. Varejistas de roupas atrasaram pedidos e adiaram contratações. Os tênis importados do Vietnã, antes vendidos por US$ 155, poderão custar US$ 220 com a nova tarifa de 46%.

Consumidores, por sua vez, estão estocando produtos essenciais. “Estou comprando o dobro de qualquer coisa – feijão, enlatados, farinha”, disse Thomas Jennings, de Nova Jersey, enquanto enchia seu carrinho em um Walmart.

Secretário do Tesouro dos EUA critica China e destaca envolvimento direto de Trump

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, classificou como “grande erro” a decisão da China de escalar a guerra tarifária. Em entrevista à CNBC, Bessent afirmou que Trump se envolverá pessoalmente nas negociações.

“Exportamos para a China um quinto do que eles exportam para nós. Essa é uma mão perdedora para eles”, declarou Bessent. Ele ainda destacou que os EUA estão ouvindo propostas de seus parceiros comerciais. Um exemplo é o projeto energético no Alasca, com possível financiamento de Japão e Coreia do Sul.

União Europeia avalia resposta contra tarifas de Trump

A Comissão Europeia discute contramedidas contra os EUA. Entre as possibilidades, estão tarifas de 25% sobre produtos norte-americanos como soja, nozes e salsichas. O bloco enfrenta tarifas em automóveis e metais, e pode ser afetado por novas taxas a partir desta quarta-feira.

Fontes:
cnnbrasil.com.br
g1.globo.com
infomoney.com.br

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