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Droga da Eli Lilly reduz placas amiloides e desacelera a progressão do Alzheimer em estágios iniciais. Tratamento pode custar até R$ 183 mil por ano.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou nesta terça-feira (22) o uso do medicamento Kisunla (donanemabe) no Brasil. O remédio é indicado para o tratamento de comprometimento cognitivo leve ou demência leve causados pelo Alzheimer em estágio inicial.

Desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly, o Kisunla já havia sido aprovado nos Estados Unidos pela FDA (Agência de Alimentos e Medicamentos) em julho de 2024. O novo fármaco atua de forma promissora ao retardar a progressão da doença neurodegenerativa, que é considerada progressiva, irreversível e fatal.

Como o medicamento atua no cérebro

O donanemabe, princípio ativo do Kisunla, é um anticorpo monoclonal que se liga às placas de beta-amiloide — proteínas que se acumulam no cérebro e estão diretamente ligadas ao avanço do Alzheimer. Ao se conectar a esses aglomerados, a droga ajuda a eliminá-los, desacelerando o declínio cognitivo e funcional dos pacientes.

Nos testes clínicos realizados, o medicamento apresentou redução de até 84% das placas amiloides após 18 meses de tratamento. Além disso, os pacientes que receberam o remédio registraram uma desaceleração de até 35% na deterioração das funções mentais e comportamentais, em comparação com os que tomaram placebo.

Estudo clínico com 1.736 pacientes

O Kisunla foi testado em 1.736 pacientes de oito países. Os participantes apresentavam sinais iniciais da doença e receberam doses de 700 mg por mês nas primeiras três aplicações, seguidas por 1.400 mg mensais. O tratamento se estendeu por até 72 semanas.

Os resultados mostraram que os pacientes tratados com o remédio tiveram progresso clínico significativamente menor que os do grupo controle. Porém, os especialistas alertam que o estudo apresenta limitações, como a baixa diversidade étnica entre os participantes (91,5% eram brancos) e o curto período de avaliação (76 semanas).

Preço e forma de aplicação

O tratamento com Kisunla tem um custo elevado. Nos EUA, seis meses de tratamento custam cerca de US$ 12.522, o equivalente a R$ 71 mil na cotação atual. Um ano de tratamento pode ultrapassar R$ 183 mil.

A droga será comercializada em frasco-ampola de 20 mL, contendo 350 mg de donanemabe. Cada mililitro da solução concentra 17,5 mg da substância ativa. O medicamento será administrado por infusão intravenosa mensal, em unidades especializadas.

Contraindicações e reações adversas

A Anvisa contraindica o uso do Kisunla em pacientes que:

  • Tomam anticoagulantes (como varfarina);
  • Apresentam angiopatia amiloide cerebral (AAC) detectada por ressonância;
  • Possuem o gene da apolipoproteína E ε4 (ApoE ε4).

As reações adversas mais comuns envolvem sintomas gripais, dores de cabeça e efeitos relacionados à infusão. Casos de alterações associadas à proteína amiloide também foram observados.

Comunidade médica está dividida

Apesar dos avanços, o Kisunla é alvo de ceticismo entre alguns especialistas. O neurologista Michael Greicius, da Universidade de Stanford, afirmou ao New York Times que não prescreveria o remédio, pois não viu correlação direta entre a remoção das placas e o benefício clínico individual.

Já a neurologista Joy Snider, da Universidade de Washington, defendeu o uso do medicamento. Segundo ela, mesmo que os resultados individuais variem, há evidências consistentes de desaceleração do avanço da doença em nível de grupo.

O que é a Doença de Alzheimer

Segundo o Ministério da Saúde, o Alzheimer é uma doença neurodegenerativa e incurável, que compromete a memória, o raciocínio e o comportamento. A enfermidade evolui de forma lenta, sendo dividida em quatro estágios: inicial, moderado, grave e terminal.

A sobrevida média após o diagnóstico varia entre 8 e 10 anos. A doença é responsável por mais da metade dos casos de demência em idosos no Brasil.

Fontes:
g1.globo.com
poder360.com.br

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