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Fluxo de investimentos internacionais, falas do Banco Central e rebaixamento da nota dos EUA impulsionam principal índice da Bolsa brasileira, que segue tendência de alta.

Imagem: Canva

O Ibovespa atingiu um novo recorde nominal de fechamento nesta sexta-feira (17), ao alcançar 139.636 pontos, com alta de 0,32%. Pela primeira vez, o principal índice da Bolsa brasileira rompeu a marca dos 140 mil pontos na máxima intradiária, chegando a 140.203 pontos.

A sessão foi marcada por uma combinação de fatores internos e externos. Enquanto o mercado americano reagia negativamente ao rebaixamento da nota de crédito dos EUA pela agência Moody’s, investidores seguiram realocando capital para países emergentes, como o Brasil.

Cenário internacional favorece fluxo para o Brasil

A Moody’s rebaixou a nota de crédito dos EUA de “Aaa” para “Aa1”, citando o crescimento da dívida pública e dos juros. A decisão ampliou o clima de incerteza fiscal nas economias desenvolvidas e incentivou investidores a buscarem alternativas mais rentáveis em outros mercados.

Apesar da aversão a risco nos EUA, o Ibovespa reagiu de forma positiva. O dólar comercial recuou 0,25% e foi cotado a R$ 5,655. Ao mesmo tempo, a curva dos juros futuros fechou em queda, reforçando o otimismo do mercado local.

Segundo o economista Caio Megale, da XP, a piora fiscal americana deve manter a pressão sobre os ativos de lá. “A situação fiscal dos EUA é preocupante. O rebaixamento reflete uma trajetória de déficits crescentes e redução de arrecadação com novos cortes de impostos”, afirmou.

Falas de Galípolo impulsionam expectativa positiva

Durante evento promovido pelo Goldman Sachs, Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, declarou que “faz sentido manter os juros em patamar restritivo por período prolongado”. A afirmação reforçou a percepção de que o ciclo de alta na Selic chegou ao fim.

A fala aliviou a curva de juros e impulsionou ações cíclicas. Companhias como Lojas Renner (alta de 2,62%) e Fleury (2,55%) figuraram entre os maiores ganhos. Já a JBS liderou a valorização do dia, com alta de 3,06%, após o J.P. Morgan reiterar recomendação de compra, projetando preço-alvo de R$ 52.

Commodities e bancos registram desempenho misto

Mesmo com a alta do Ibovespa, empresas ligadas a commodities tiveram desempenho abaixo do índice. As ações da Vale recuaram 0,27%, enquanto Petrobras PN caiu 0,12%.

No setor bancário, o Banco do Brasil caiu 2,45%, pressionado por projeções revisadas após um resultado fraco no primeiro trimestre. Já Bradesco (0,91%), Itaú (1,19%) e Santander (1,49%) avançaram.

Marfrig devolve ganhos e gripe aviária pesa no setor alimentício

As ações da Marfrig recuaram 6,42% após dispararem mais de 21% na semana anterior, com a proposta de fusão com a BRF. A BRF também caiu, com baixa de 1,35%, enquanto a JBS se beneficiou do otimismo com a dupla listagem.

A gripe aviária continua sendo um fator de incerteza no setor de alimentos, embora o mercado tenha reagido de forma seletiva às empresas impactadas.

Investidores estrangeiros sustentam valorização da Bolsa

O capital estrangeiro permanece como principal motor de valorização da B3. Segundo dados da Bolsa, o saldo de investidores estrangeiros no segmento secundário já soma R$ 10 bilhões em maio. Ao todo, são 18 sessões consecutivas de entrada líquida de recursos.

Estudo do Santander aponta que, diante da necessidade de diversificação geográfica, o Brasil pode receber até US$ 26,5 bilhões em fluxo adicional nos próximos meses — cerca de R$ 150 bilhões.

Apesar do otimismo, a XP mantém cautela e alerta que uma nova escalada dos juros longos nos EUA pode reverter parte dessa rotação. Se os títulos americanos de 10 anos se aproximarem de 5%, o movimento de alocação para emergentes pode ser interrompido.

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