A paisagem da Zona Sul do Rio de Janeiro está mudando — e os números comprovam. Segundo levantamento da Prefeitura, a região conta atualmente com 425 farmácias e apenas 380 padarias. É a única parte da cidade onde os estabelecimentos de saúde superam os de panificação, fato que vem gerando insatisfação entre os moradores.
Copacabana lidera a transformação
Copacabana se destaca como o bairro com maior número de drogarias: são 118 farmácias contra 93 padarias. Ao longo dos 4 quilômetros da Avenida Nossa Senhora de Copacabana, há 43 farmácias — uma a cada 100 metros — enquanto as padarias aparecem com baixa frequência, apenas quatro na via.
Essa inversão atinge diretamente o cotidiano da população, especialmente idosos. O bairro abriga cerca de 42 mil pessoas com mais de 60 anos, tornando-se o segundo com mais idosos no Rio. No Leblon, a situação é ainda mais acentuada: 35,3% da população tem 60 anos ou mais.
Fechamentos e resistência
A substituição de padarias por farmácias se intensificou. Um exemplo marcante ocorreu em Botafogo, onde a Panificação Voluntários, que funcionava há 66 anos, deu lugar a uma Drogaria Cristal. A mudança gerou protestos, como a instalação de uma placa na rua: “Chega de farmácias, quero uma padaria”.
Apesar da tendência, algumas padarias resistem. A Confeitaria Imperial, no mesmo bairro, segue firme desde 1927. Reaberta em 2016 após reforma, mantém sua tradição e clientela fiel, oferecendo produtos próprios e ambiente nostálgico. Em meio à crise, padarias artesanais e estabelecimentos adaptados, como minimercados com setor de panificação, tentam manter o mercado vivo.
Motivos por trás do fenômeno
Especialistas apontam para o envelhecimento populacional e o alto poder aquisitivo da Zona Sul como fatores que impulsionam o crescimento das farmácias. Além disso, programas públicos de saúde ampliaram o acesso a medicamentos, aumentando o fluxo de consumidores nesses estabelecimentos.
Outro fator que pesa contra as padarias são os aluguéis altos na Zona Sul. Muitos empresários não conseguem manter o ponto comercial. Quando o imóvel é próprio, os donos muitas vezes preferem alugar para grandes redes do que seguir no ramo da panificação.
Fontes:
diariodorio.com
oglobo.globo.com
extra.globo.com