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Durante conferência em Genebra, secretário João Pires apresenta carta que relata domínio criminoso sobre serviços essenciais em comunidades do Rio de Janeiro.

João Pires, secretário de Proteção e Defesa do Consumidor do Rio, entrega carta à ONU — Foto: Divulgação

O secretário de Proteção e Defesa do Consumidor do Rio, João Pires, denunciou nesta quinta-feira (10), em Genebra, na Suíça, o controle de milícias e facções criminosas sobre serviços essenciais nas comunidades do estado. A denúncia, feita em nome da Prefeitura do Rio, foi entregue durante a 9ª Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), principal evento global sobre defesa do consumidor.

Na carta, Pires relatou que moradores de áreas vulneráveis são forçados a consumir produtos e serviços sob o domínio de grupos ilegais. Além disso, ele solicitou apoio internacional para combater o problema, que, segundo ele, viola os direitos humanos e compromete metas globais de desenvolvimento sustentável.

Gás, internet e luz são alvos de exploração criminosa

A carta entregue à ONU revelou que botijões de gás custam até 46% a mais em comunidades sob controle de milicianos. Segundo a Associação Brasileira dos Revendedores de GLP, quadrilhas controlam até 80% do mercado de gás de cozinha no estado do Rio. Além disso, serviços como internet e energia elétrica também sofrem cobranças abusivas e instalação clandestina, o que agrava a desigualdade e coloca moradores em risco.

“O consumidor se torna refém da criminalidade. Não há liberdade de escolha nem acesso seguro”, destacou Pires no discurso.

Proposta do Rio inclui medidas financeiras, fronteiriças e digitais

Durante a conferência, o secretário defendeu três ações estratégicas para enfrentar o problema. Primeiramente, ele sugeriu maior supervisão dos fluxos financeiros internacionais, com foco na rastreabilidade de dinheiro ligado a crimes organizados. Além disso, propôs o reforço no controle de fronteiras e o estímulo ao acesso democrático à internet, a fim de impedir que redes digitais sirvam ao crime.

“As comunidades do Rio precisam de paz, dignidade e serviços legítimos. Não podemos aceitar que criminosos decidam como e de quem as pessoas compram gás ou conectividade”, afirmou o secretário.

Participação brasileira na UNCTAD reforça alerta sobre violência urbana

A UNCTAD reúne, até esta sexta-feira (11), autoridades de mais de 50 países para discutir práticas de consumo, concorrência justa e medidas regulatórias. O evento concentra atenção especial em nações em desenvolvimento, que frequentemente enfrentam desafios estruturais, corrupção e influência de grupos armados sobre a economia informal.

A participação do Rio de Janeiro nesse fórum amplia o debate sobre segurança pública como direito do consumidor, reforçando a necessidade de ações conjuntas entre governos, organizações internacionais e setor privado.

Fonte: g1.globo.com

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