O rapper Oruam, nome artístico de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, foi indiciado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro nesta terça-feira (22), sob acusação de associação ao tráfico de drogas e ligação com a facção criminosa Comando Vermelho (CV). O cantor, filho do traficante Marcinho VP, teria dificultado a execução de um mandado de busca e apreensão contra um menor procurado por roubo, em sua residência, no bairro do Joá, na Zona Oeste do Rio. Durante o episódio, Oruam publicou vídeos desafiando as autoridades, o que, segundo a polícia, configura uma confissão de envolvimento com o tráfico de drogas e outros crimes.
Resistência e Desacato Durante Ação Policial
O incidente teve início quando a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) tentou cumprir um mandado de busca e apreensão contra um adolescente de 17 anos, conhecido como Menor Piu, que estava escondido na casa de Oruam. Ele é considerado um dos principais ladrões de veículos do estado e segurança de Doca, um dos líderes do CV.
Em um momento crítico da operação, Oruam utilizou suas redes sociais para convocar amigos a ajudá-lo. “Quem tiver de moto brota no Joá. Me ajuda, eles estão aqui na minha porta”, escreveu o rapper em seus stories. O ambiente tenso levou a um confronto direto entre o cantor e os policiais, onde pedras foram arremessadas contra viaturas e agentes da DRE. Além disso, Oruam passou a insultar o delegado Moysés Santana, responsável pela operação.
Indiciamento por Diversos Crimes
De acordo com Felipe Curi, secretário de Polícia Civil do RJ, Oruam será indiciado por seis crimes, incluindo associação para o tráfico de drogas, resistência qualificada, desacato, dano ao patrimônio público, lesão corporal e tráfico. O delegado não poupou críticas ao rapper, afirmando que ele é “um criminoso faccionado, ligado ao Comando Vermelho”, e desafiou as autoridades ao se esconder no Complexo da Penha, após a tentativa de prisão.
Oruam, em vídeos postados após o confronto, afirmou estar em um “quarto revirado” pela polícia e se mostrou inconformado com a situação. “Tudo o que eu conquistei foi com minha música! Vai tomar no c*!”, disse ele em uma de suas publicações. A relação de Oruam com o tráfico de drogas e com o pai, Marcinho VP, preso por diversos crimes, coloca o rapper em uma posição ainda mais comprometida no cenário da criminalidade carioca.
Uma Família de Tráfico e Crime
Marcinho VP, pai de Oruam, é um dos líderes mais temidos do Comando Vermelho, estando preso em um presídio federal. Apesar de estar fora das ruas, ele continua comandando operações da facção com a ajuda de familiares, como seu filho. A tatuagem de Oruam, que faz referência a Marcinho VP e a Elias Maluco, outro traficante histórico, reforça ainda mais a imagem do rapper como um membro da facção.
Para a polícia, o comportamento de Oruam é claro: um desafio direto à autoridade e uma tentativa de enfraquecer as ações da justiça. “Se havia alguma dúvida sobre o Oruam, agora está claro que ele é mais do que um simples artista periférico, mas sim um criminoso vinculado ao tráfico de drogas e ao Comando Vermelho”, afirmou o delegado.
A Fugida e os Desafios Públicos
Após o confronto, Oruam fugiu para o Complexo da Penha, onde continuou a se manifestar nas redes sociais, dizendo que os policiais “não conseguiriam pegá-lo”. Ele gravou um vídeo onde afirmava que as autoridades estavam mentindo sobre os eventos da noite e desafiava os policiais a virem até o complexo para capturá-lo.
“Eu sou filho do Marcinho, seus filhas da pta! Vai tomar no c!” exclamou Oruam em uma das gravações. As mensagens nas redes sociais foram interpretadas como uma provocação direta às forças de segurança pública e como uma tentativa de incitar violência nas comunidades dominadas pelo Comando Vermelho.
Fontes:g1.globo.com/diariodorio.com