Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
A proibição do uso de celulares nas escolas do Rio de Janeiro trouxe resultados concretos para alunos, professores e famílias. Desde o início do ano letivo de 2024, estudantes passaram a frequentar salas de aula livres de distrações digitais, com impactos positivos no desempenho acadêmico e na socialização.
Segundo dados da Secretaria Municipal de Educação, o ensino fundamental registrou aumento de 25,7% nas notas de matemática e 13,5% em português após a implementação da medida. O levantamento considerou avaliações periódicas da rede municipal e foi analisado por pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, garantindo que o avanço fosse atribuído exclusivamente à restrição do uso de celulares.
“Em matemática, é como se os alunos tivessem aprendido um bimestre a mais no mesmo período. O ganho foi progressivo ao longo do ano letivo”, afirma o secretário municipal de Educação, Renan Ferreirinha.
Alunos relatam mudanças positivas no comportamento e foco
Estudantes do Ginásio Educacional Olímpico (GEO) Reverendo Martin Luther King, na Praça da Bandeira, centro do Rio, descrevem a experiência como transformadora. Priscila Henriques Lopes da Silva, de 14 anos, conta que o vício em redes sociais prejudicava seu aprendizado. “Dava vontade de ficar mexendo o tempo todo”, diz. A colega Sophia Magalhães de Lima reforça: “Hoje percebemos que não precisamos do celular para nos divertir”.
Enzo Sabino Silva Cascardo, de 15 anos, lembra que antes da proibição, momentos de aula e recreio eram dominados por jogos e redes sociais. “No recreio, todo mundo com a cabeça abaixada, ninguém brincava nem conversava”, afirma. Após a restrição, recreios e aulas ganharam foco, e os professores voltaram a ser a principal referência em sala.
A aluna Tauana Vitória Vidal Fonseca, de 15 anos, percebeu melhoria significativa em suas notas. “Minha nota subiu muito, principalmente em matemática. Antes, eu ficava o tempo todo no celular e não aprendia nada”, conta.
Professores e direção celebram a retomada do ambiente escolar
A diretora Joana Posidônio Rosa destaca que o apoio das famílias foi fundamental. “Recebemos relatos de que em casa a situação era difícil, com os filhos sempre no celular. A adesão das famílias foi praticamente total e essencial para o sucesso da medida”, explica.
O professor de história Aluísio Barreto da Silva lembra que no início, alguns alunos reagiam de forma extrema à apreensão dos aparelhos, mas logo a “desintoxicação digital” trouxe resultados: “Os alunos voltaram a prestar atenção e a interagir, e o ambiente escolar ficou mais saudável”.
Atualmente, uma única caixa para armazenar os celulares no início das aulas já é suficiente, já que muitos estudantes optam por não levar o aparelho à escola. A proibição também se estende a atividades esportivas e treinamentos, permitindo que alunos aproveitem melhor o tempo sem telas.
Sophia, que passou a praticar xadrez, tornou-se campeã estadual da modalidade. Ela atribui a conquista à maior concentração adquirida sem o celular.
Impactos sociais e educacionais
Além do desempenho acadêmico, professores e especialistas percebem melhorias na socialização, redução do bullying e do cyberbullying. “A escola passou a ser um espaço de aprendizagem e interação social, mais acolhedor e seguro”, avalia Renan Ferreirinha.
O secretário reforça que a experiência demonstra como políticas públicas podem auxiliar famílias no manejo do excesso de telas. Ele defende que medidas similares sejam aplicadas ao uso de redes sociais por menores de idade, sugerindo restrições para adolescentes abaixo de 16 anos.