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Após mais de 27 anos de operação ferroviária no Rio de Janeiro, a SuperVia encerrou a concessão deixando uma série de débitos com fornecedores, que incluem serviços de manutenção de vagões, fabricação de peças, sinalização e outros. Apenas os valores referentes a maio chegam a aproximadamente R$ 15 milhões, e o maior passivo da antiga concessionária é de R$ 1,9 bilhão com o BNDES, decorrente de financiamentos.
Entre os credores estão empresas responsáveis por bilhetagem eletrônica, pessoal de apoio, segurança e até serviços de remoção de marimbondos ao longo da via férrea. O atraso nos pagamentos já provocou impactos operacionais, como escadas rolantes paradas nas estações Méier e Madureira e equipamentos inoperantes na estação Maracanã.
Fornecedores aguardam pagamentos
Empresas de manutenção de vagões cobram R$ 452 mil por nota fiscal, enquanto outra dívida relacionada à revitalização de motores de trens elétricos e diesel soma R$ 35,7 mil. Serviços ambientais, como testes de fumaça em locomotivas, também estão com pagamentos pendentes, o que pode atrasar novas inspeções previstas para outubro.
Riscos alertados pela nova operadora
A TrensRJ, que assumiu a operação ferroviária, não é responsável pelas dívidas da SuperVia, mas encaminhou um comunicado à Secretaria Estadual de Transportes e à Procuradoria-Geral do Estado alertando sobre os riscos. A inadimplência pode interromper serviços terceirizados, impactando a regularidade do transporte.
O contrato da TrensRJ prevê remuneração por quilômetro percorrido, considerando bilheteria e indicadores de desempenho, além de uma garantia para inadimplência do governo, com recursos equivalentes a seis meses de prestação de serviços.
Segurança e evasão
A operação ferroviária também enfrenta desafios relacionados à violência, com 14 estações sob influência direta do crime organizado e trilhos próximos a 179 comunidades controladas por grupos criminosos. Em março, 26 viagens foram canceladas por ocorrências relacionadas à violência.
Além disso, estima-se que 30 mil passageiros utilizem diariamente os trens sem pagar, aumentando a pressão financeira sobre o sistema.
Medidas da TrensRJ
A nova operadora informou que está adotando ações para reduzir os impactos aos passageiros, buscando soluções junto a fornecedores e ao mercado. A Secretaria Estadual de Transportes reforçou que a responsabilidade pelos contratos da antiga concessionária não é do Estado, mas que trabalha em conjunto com a TrensRJ para manter a qualidade do serviço.