A Secretaria Municipal de Saúde do Rio passou a adotar novas medidas para identificar e tratar pessoas com problemas relacionados ao vício em apostas esportivas, as chamadas bets.
Desde agosto, as clínicas da família e centros municipais de saúde começaram a incluir perguntas específicas sobre a relação dos pacientes com jogos durante consultas de rotina.
A estratégia segue um modelo semelhante ao já utilizado para identificar casos de depressão e tabagismo, permitindo que profissionais de saúde reconheçam sinais de alerta e iniciem o acompanhamento.
Pacientes passam por avaliação e acompanhamento
Durante os atendimentos, os pacientes respondem a duas perguntas sobre apostas, que são registradas no prontuário.
Caso haja uma resposta positiva, a equipe de saúde realiza uma avaliação mais detalhada para identificar o nível de risco e definir o tipo de acompanhamento necessário.
Os tratamentos podem variar conforme a situação, incluindo:
- orientações para casos mais leves;
- acompanhamento com equipes multiprofissionais;
- atendimento pela rede de atenção psicossocial em casos mais graves.
A estratégia também prevê acolhimento de familiares afetados pelo problema, mesmo quando a pessoa que aposta ainda não esteja disposta a buscar ajuda.
Mais de 20 pessoas foram identificadas na primeira semana
Na primeira semana de implantação da medida, 22 pessoas admitiram sentir necessidade de apostar entre os 3.070 pacientes que responderam às perguntas durante consultas.
O levantamento também apontou que 15 pessoas disseram já ter mentido para familiares para esconder valores gastos com apostas.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o objetivo é identificar os casos antes que o problema provoque consequências mais graves, como ansiedade, insônia, depressão, endividamento e conflitos familiares.
Levantamento identificou mais de mil pessoas com sinais relacionados ao vício
Antes da implantação da nova abordagem, a Secretaria Municipal de Saúde realizou um levantamento com apoio do Núcleo de Inteligência Assistencial (NIA).
A análise de prontuários eletrônicos identificou 1.378 pessoas com relatos relacionados a sofrimento causado por situações envolvendo apostas, seja pelo próprio paciente ou por familiares.
Entre os problemas associados estavam:
- ansiedade;
- insônia;
- depressão;
- dificuldades financeiras dentro da família.
Jovens também aparecem entre os casos identificados
O levantamento também apontou a presença de menores de idade entre os registros analisados.
Ao todo, 25 pacientes tinham menos de 18 anos, sendo 22 deles meninos.
Apesar da proibição de apostas para menores, a Secretaria afirma que o dado acompanha o crescimento do acesso a aplicativos de apostas e jogos de azar por meio de celulares.
Profissionais da saúde recebem capacitação
Além do rastreamento nas consultas, a Prefeitura informou que agentes comunitários de saúde e outros profissionais da rede municipal estão recebendo treinamento sobre o tema.
Também serão distribuídos materiais de orientação para incentivar a busca por atendimento e ampliar a informação sobre os riscos relacionados ao uso excessivo de apostas.
Fontes: prefeitura.rio