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Levantamento aponta que 55% dos estudantes do município frequentam escolas localizadas em zonas de milícia ou tráfico; tiroteios atingem quase metade das unidades.

Foto: Moradores caminham na região do Complexo de Israel, zona norte do Rio de Janeiro, durante operação policial, em fevereiro de 2025 – Eduardo Anizelli

Mais da metade dos alunos da rede pública de ensino do Rio de Janeiro estuda sob constante ameaça. Em 2022, 55% dos estudantes da capital estavam matriculados em escolas situadas em áreas controladas por milícias ou facções do tráfico. Ao todo, 466 mil jovens frequentavam essas regiões de risco, conforme aponta o relatório “Educação sob Cerco”, divulgado nesta quinta-feira (29).

Violência armada impacta a rotina escolar

Os dados revelam um panorama preocupante. O estudo indica que, apenas em 2022, ocorreram mais de 4.400 episódios de violência armada nas proximidades de escolas da Região Metropolitana. O levantamento considerou um raio de 100 metros das unidades escolares. Das 3.772 escolas públicas existentes, 1.687 enfrentaram ao menos um tiroteio em suas imediações — ou seja, 45% delas foram diretamente afetadas.

A situação é ainda mais grave em bairros periféricos. Uma escola de São Gonçalo, por exemplo, foi alvo de 18 confrontos armados no mesmo ano. Em contraste, as escolas da zona sul do Rio registraram apenas 86 episódios de violência. Já a zona norte contabilizou 1.714 eventos semelhantes.

Estudo baseia-se em dados oficiais e georreferenciamento

O relatório é resultado de uma parceria entre Unicef, Geni-UFF, Instituto Fogo Cruzado e Ceres-Iesp. Os pesquisadores cruzaram informações do Censo Escolar e do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) com o Mapa dos Grupos Armados, que utiliza georreferenciamento para identificar o domínio territorial de milícias e facções.

Além disso, as ocorrências de tiroteios foram extraídas da base de dados do Instituto Fogo Cruzado, que monitora a violência armada na região.

Governos respondem com protocolos e treinamentos

Diante da gravidade do cenário, o governo estadual informou que treina professores que atuam em áreas conflagradas. Em parceria com a Cruz Vermelha Internacional, capacitou mais de 4 mil servidores sobre como agir em situações de risco. Segundo o governo Cláudio Castro (PL), as operações policiais são comunicadas previamente às secretarias de Educação.

A gestão Eduardo Paes (PSD), por sua vez, afirma que monitora tiroteios para definir a abertura ou o fechamento das escolas. A prefeitura também garante a reposição das aulas perdidas em dias de confronto.

Desigualdades escancaradas e o direito à educação ameaçado

A concentração dos episódios de violência nas zonas mais pobres do Rio reforça desigualdades históricas. Para Flavia Antunes, chefe do escritório do Unicef no Rio, é urgente integrar políticas de segurança pública e educação. Segundo ela, a ação conjunta pode mitigar os efeitos do controle territorial armado sobre o acesso à educação.

A rede estadual do Rio conta com cerca de 600 mil alunos em 92 municípios. Somente na capital, 162 mil estudantes estão distribuídos em 228 escolas estaduais. Já a rede municipal possui 650 mil alunos em 1.557 unidades escolares.

O estudo expõe, de forma clara, como a violência afeta o ambiente escolar e compromete o direito fundamental à educação segura.

Fonte: folha.uol.com.br

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