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S&P Merval cai 5,58% após presidente argentino elogiar criptoativo que sofreu desvalorização e enfrenta acusações na justiça.

Javier Milei, presidente da Argentina (Antonio Masiello/Getty Images)

Criptomoeda valorizada e queda abrupta

Na última sexta-feira (14), Milei publicou em sua conta na rede social X que “o mundo quer investir na Argentina $LIBRA”. A postagem impulsionou a valorização do ativo digital, que atingiu um pico histórico. No entanto, pouco depois, a moeda sofreu uma desvalorização acentuada, levando a perdas estimadas em mais de 4 bilhões de dólares para cerca de 40 mil investidores.

Diante da repercussão negativa, Milei apagou a publicação e negou qualquer envolvimento com a criptomoeda. “Eu não estava ciente dos detalhes do projeto e, quando descobri, decidi não continuar conferindo publicidade a ele”, declarou o presidente.

Possível golpe financeiro e impacto no mercado

Especialistas avaliam que o ocorrido pode estar ligado a um esquema conhecido como “rug pull” (puxada de tapete). O golpe ocorre quando desenvolvedores promovem um ativo digital, atraem investidores e, posteriormente, retiram a liquidez, derrubando seu valor.

“Embora Milei tenha se desvinculado do projeto, milhares de investidores compraram o ativo enquanto a recomendação estava ativa. Após a retirada de liquidez, a criptomoeda despencou de US$ 5,20 para US$ 0,13”, explicou Ignacio Morales, CIO da Wise Capital. Estima-se que nove investidores lucraram cerca de US$ 100 milhões em poucas horas.

A crise repercutiu fortemente na bolsa de Buenos Aires. Empresas como Transportadora de Gas del Sur (-5%), Sociedade Comercial del Plata (-4,5%) e Transportadora de Gas del Norte (-4,5%) sofreram perdas expressivas. No início do pregão, algumas ações chegaram a registrar quedas de até 10%.

Repercussão política e investigações

O escândalo provocou uma crise na Casa Rosada. Parlamentares da oposição ameaçam apresentar um pedido de impeachment contra Milei, argumentando que a promoção da criptomoeda sem informações concretas foi irresponsável. Além disso, mais de 100 queixas foram protocoladas na justiça argentina contra o presidente.

A juíza federal María Servini foi designada para comandar a investigação, que inclui acusações de associação ilícita, fraude e descumprimento dos deveres de funcionário público. “A reação dos mercados era esperada diante da controvérsia. O impacto a longo prazo dependerá do desenrolar das investigações”, afirmou Patricia Krause, economista-chefe da Coface para a América Latina.

Fontes:
infomoney.com.br
veja.abril.com.br
cnnbrasil.com.br

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