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Governo vê entrada na Opep+ como estratégica, mas especialistas alertam para riscos ambientais e desafios da transição energética.

Lula com Alexandre Silveira e Rui Costa em cerimônia de retomada da indústria naval e offshore — Foto: Ricardo Stuckert / PR

O Brasil anunciou sua adesão à Opep+, grupo que reúne 13 países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e 10 nações observadoras. A decisão foi oficializada nesta terça-feira (18) pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, após reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). O anúncio acontece às vésperas da Conferência das Nações Unidas para o Clima (COP30), que será realizada em Belém (PA) em novembro.

Brasil e a estratégia energética global

Silveira defendeu a decisão, alegando que o Brasil não pode se envergonhar de ser um grande produtor de petróleo. “É um momento histórico para a indústria energética, que abre um novo capítulo no diálogo e cooperação internacional”, afirmou. O governo também anunciou a intenção de aderir à Agência Internacional de Energia (IEA) e à Agência Internacional de Energia Renovável (Irena), tentando equilibrar sua posição no mercado de energia.

A decisão reforça o peso do petróleo na economia brasileira. O país produz 3,672 milhões de barris por dia, ocupando a nona posição no ranking global e a liderança na América Latina. A exploração na Margem Equatorial, incluindo a bacia da Foz do Amazonas, se tornou uma aposta estratégica do governo para ampliar as reservas, estimadas em 14 bilhões de barris adicionais.

Críticas e impactos ambientais

Ambientalistas e especialistas em transição energética criticam a adesão, argumentando que o Brasil poderia liderar a nova economia descarbonizada. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, ainda não se pronunciou oficialmente, mas enfrenta pressão de seu partido e de organizações ambientais. A ampliação da exploração de petróleo pode comprometer a imagem do Brasil como referência em energia limpa, especialmente em um momento de transição para fontes renováveis.

Além disso, há riscos econômicos. Países da Opep+ controlam a oferta global de petróleo, influenciando preços. No entanto, a popularização dos carros elétricos pode reduzir a demanda por combustíveis fósseis, tornando a exploração em águas profundas menos viável no futuro. A China aposta fortemente na eletrificação do transporte, e especialistas alertam que o Brasil pode perder oportunidades ao insistir na economia do carbono.

Futuro energético em debate

Enquanto o Brasil reforça sua presença no setor petrolífero, o mundo acelera investimentos em energias renováveis. Países árabes, como Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, já estruturam sua transição energética há décadas. No Brasil, a Petrobras ainda caminha a passos lentos nesse sentido. Um ciclo de exploração de petróleo leva entre 15 e 20 anos para gerar retorno, tempo suficiente para que mudanças tecnológicas tornem a exploração menos vantajosa.

O governo garante que manterá um equilíbrio entre crescimento econômico e compromisso ambiental, mas o ingresso na Opep+ coloca em xeque a liderança brasileira na transição energética global.

Fontes:
oglobo.globo.com
infomoney.com.br
www.terra.com.br
blogs.correiobraziliense.com.br

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