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Jogador do Flamengo é acusado de manipular cartão amarelo para favorecer apostadores; especialistas apontam risco de pena criminal e sanção desportiva

Foto: Wagner Meier/Getty Images

A Polícia Federal indiciou o atacante Bruno Henrique, do Flamengo, por suspeita de fraude em competição esportiva. A acusação surgiu após investigações indicarem que o jogador teria forçado um cartão amarelo intencionalmente durante o jogo contra o Santos, em novembro de 2023. Segundo as autoridades, o objetivo seria beneficiar um esquema de apostas.

Além do atleta, outras nove pessoas — inclusive parentes do jogador — foram indiciadas. A investigação identificou indícios suficientes para responsabilizar o grupo por tentar manipular o resultado da partida, violando as regras que regem o esporte nacional.

Dois processos paralelos: criminal e desportivo

Segundo o advogado Andrei Kampff, especialista em Direito Desportivo, Bruno Henrique poderá enfrentar duas frentes distintas. A Justiça Comum irá apurar o caso criminalmente, enquanto a Justiça Desportiva analisará os impactos da conduta no âmbito esportivo. Ambos os processos são independentes e seguem trâmites próprios.

No campo criminal, o indiciamento se baseia no artigo 200 da Lei Geral do Esporte (Lei nº 14.597/2023). A norma pune quem frauda, ou ajuda a fraudar, resultados de competições esportivas. A pena pode variar de dois a seis anos de prisão, além de multa.

O jogador também pode ser denunciado por estelionato (art. 171 do Código Penal) e por integrar organização criminosa (Lei nº 12.850/2013), dependendo da avaliação do Ministério Público.

Justiça Desportiva pode aplicar punição severa

No Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), o caso será tratado com base no Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). Nesse cenário, Bruno Henrique corre o risco de ser suspenso por até dois anos. Se reincidir ou se houver agravantes, ele poderá ser banido definitivamente dos gramados.

Contudo, o advogado Andrei Kampff destaca a necessidade de provas sólidas. “Qualquer condenação só pode ocorrer com provas claras, cabais e definitivas”, afirmou. Ele ainda reforça que a ampla defesa e a presunção de inocência estão asseguradas em ambos os âmbitos jurídicos.

Manipulação esportiva ameaça a integridade do futebol

A possível manipulação do cartão amarelo fere diretamente a essência do futebol. Para Kampff, “a integridade esportiva é o que garante a imprevisibilidade, a emoção do jogo e a alma do esporte”. Portanto, qualquer tipo de fraude compromete não apenas os resultados, mas também a confiança do torcedor.

A repercussão do caso reacende o debate sobre a relação entre apostas esportivas e a ética no futebol profissional. Enquanto isso, torcedores e dirigentes aguardam os desdobramentos do processo com atenção.

Fonte: cnnbrasil.com.br

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