Na última terça-feira (23/09), a Câmara Municipal do Rio aprovou, por 39 votos a 5, a instalação de um novo hospital da operadora Prevent Senior em Botafogo, Zona Sul da cidade. Para viabilizar o projeto, os vereadores alteraram o zoneamento urbano, que desde 1982 proibia a criação de unidades hospitalares com internação em Botafogo e Humaitá.
Além disso, uma emenda aprovada por 32 votos a 8 ampliou a permissão para outras operadoras de saúde, buscando afastar a imagem de favorecimento exclusivo à Prevent Senior. A iniciativa gerou debates entre parlamentares e dividiu opiniões de moradores da região.
Nova unidade será instalada em antigo prédio da IBM
A unidade hospitalar será construída no antigo prédio da IBM, nos números 138 e 146 da Avenida Pasteur, desocupado desde 2021. O edifício tem 25,6 mil metros quadrados, 14 andares e será transformado no hospital Sancta Maggiore Mônaco, inspirado no principado europeu.
De acordo com a Prevent Senior, o hospital contará com cinco salas de cirurgia, ambulatórios e equipamentos de imagem de alta tecnologia, como tomografia e ressonância magnética. O projeto prevê entre 134 e 200 leitos, distribuídos entre enfermarias e quartos privativos. No entanto, a unidade não terá emergência; o atendimento será limitado a internações, cirurgias e consultas previamente agendadas.
A operadora estima a geração de aproximadamente mil empregos diretos, o que contribui para impulsionar o mercado de trabalho na área da saúde no Rio de Janeiro.
Vereadores se dividem e população reage
Apesar da aprovação, o projeto gerou críticas. O vereador Pedro Duarte (Novo) destacou que a autorização responde à crescente demanda de idosos na região, e afirmou que a inclusão de outras operadoras impediu o favorecimento exclusivo.
Em contrapartida, Thaís Ferreira (PSOL) criticou a ausência de estudo de impacto urbanístico e acusou a gestão do prefeito Eduardo Paes de transformar a cidade em um “balcão de negócios”. Paulo Messina (PL), embora tenha votado a favor, alertou sobre a possibilidade de judicialização, já que a lei de uso do solo não costuma citar empresas específicas.
Moradores de Botafogo também manifestaram preocupação. A presidente da Associação de Moradores e Amigos de Botafogo (AMAB), Regina Chiaradia, reconheceu a importância de hospitais, mas classificou a decisão como um precedente perigoso. Segundo ela, equipamentos hospitalares têm impacto direto no trânsito e exigem logística complexa.
Estudos técnicos e possível impacto viário
Durante audiência pública realizada em junho, técnicos da CET-Rio avaliaram que, por não oferecer pronto atendimento, o hospital da Prevent Senior tende a gerar menos tráfego do que outras atividades comerciais.
Mesmo assim, recomendaram a adoção de medidas mitigatórias nos horários de pico, como forma de reduzir o impacto na já sobrecarregada malha viária de Botafogo. A população local teme que, apesar das promessas, o novo fluxo de profissionais, pacientes e visitantes comprometa ainda mais a mobilidade urbana da região.
Estratégia de expansão da Prevent Senior no Rio
O projeto do hospital integra o plano de expansão da Prevent Senior no Rio de Janeiro. Recentemente, a operadora descredenciou serviços de emergência na Casa de Saúde São José, no Humaitá, e anunciou a inauguração do Centro Médico Prevent Senior Havaí, também em Botafogo, com foco em consultas e exames eletivos.
A empresa reforça seu modelo de atenção voltado à terceira idade, já consolidado em outros estados com a rede Sancta Maggiore. Segundo a operadora, outros hospitais continuam na rede credenciada e os usuários serão informados com antecedência sobre as mudanças.
Próximos passos: sanção do prefeito Eduardo Paes
Com a aprovação em segunda votação, o texto agora segue para a redação final e será encaminhado ao prefeito Eduardo Paes. Ele tem até 15 dias úteis para sancionar ou vetar o projeto. Nas redes sociais, Paes já se posicionou favoravelmente à proposta, argumentando que deixar o prédio da IBM desocupado por mais tempo seria um desperdício de espaço e potencial urbano.
O prefeito também destacou que o impacto viário do hospital seria menor do que o causado por outros empreendimentos, como prédios comerciais ou residenciais.