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Fundador da facção Amigos dos Amigos, Celsinho articulou acordos com milicianos e o Comando Vermelho para retomar comunidades dominadas na Zona Oeste do Rio.

Foto: Reprodução
A Polícia Civil prendeu na manhã desta quinta-feira (8) o traficante Celso Luiz Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém, em Padre Miguel, Zona Oeste do Rio de Janeiro. A ação ocorreu durante mais uma fase da Operação Contenção, que combate a expansão territorial do Comando Vermelho (CV) e atua para desmantelar acordos entre criminosos e milicianos.

Equipes da 32ª DP (Taquara), da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC) e da Subsecretaria de Inteligência (Ssinte) coordenaram a operação que resultou na prisão do fundador da facção Amigos dos Amigos (ADA), um dos traficantes mais antigos em atividade no Rio.

Aliança inédita entre facções e milicianos

De acordo com as investigações, Celsinho restabeleceu laços com o Comando Vermelho, facção rival com quem já havia rompido no passado. Além disso, negociou com grupos milicianos para retomar territórios estratégicos na Zona Oeste, como Curicica e a Vila Sapê.

A Vila Sapê, até então controlada por André Costa Bastos, o Boto — miliciano preso em um presídio federal — foi “vendida” a Celsinho. Após a negociação, tropas armadas da ADA ocuparam a área pacificamente, sem resistência. O caso chamou a atenção da inteligência da Polícia Civil por configurar uma aliança inédita e altamente estratégica entre tráfico e milícia.

Ainda segundo os investigadores, Celsinho também firmou acordo com Edgar Alves de Andrade, o Doca (ou Urso), um dos chefes do CV. Essa união visava garantir estabilidade e evitar confrontos, consolidando o domínio sobre Curicica e adjacências. O grupo chegou a articular ações armadas conjuntas, como a execução do miliciano dissidente Fábio Taca Bala, morto por traficantes do CV a mando do alto comando.

Investigação começou em fevereiro

As apurações começaram em 26 de fevereiro, quando a polícia prendeu oito traficantes armados na Vila Sapê, em Curicica. Eles confessaram ter sido enviados por Celsinho para tomar a localidade da milícia de Boto. As informações levaram à descoberta de uma complexa associação criminosa envolvendo ADA, milícia e Comando Vermelho.

Com base em depoimentos, provas técnicas, interceptações telefônicas e movimentações prisionais, os investigadores concluíram que Celsinho, Doca e Boto coordenavam ações para explorar o tráfico de drogas com armamento pesado, coação a moradores e divisão territorial previamente pactuada.

Histórico de fugas e condenações

Celsinho tem um longo histórico criminal. Foi preso pela primeira vez em 1990 e novamente em 1996, mas fugiu em 1998 disfarçado de policial militar, enquanto estava internado no Hospital Penitenciário Fábio Macedo Soares.

Recapturado em 2002, ele chegou a declarar ao jornal O Globo:
“Sou traficante. Vivo do tráfico. Mas sou um cara devagar, não dou tiro na polícia. Compro meu pozinho, minha maconha e vendo.”

Na época, disse faturar cerca de R$ 50 mil por semana, restando-lhe “só dez milzinhos” após pagar suas despesas. Cumpriu boa parte da pena no Presídio Federal de Porto Velho, em Rondônia, e foi transferido ao Complexo de Gericinó em 2017.

Em 2022, foi solto após o Ministério Público questionar sua participação na invasão da Rocinha, ação atribuída à ADA, mas com indícios de armação. A desembargadora Suimei Meira Cavalieri concedeu um alvará de soltura, que o tirou da prisão até a nova captura nesta semana.

Próximos passos da Operação Contenção

A Operação Contenção segue ativa, com foco em bloquear mais de R$ 6 bilhões em bens e valores ligados ao Comando Vermelho. Novas ações devem ocorrer nos próximos dias. A meta é neutralizar a estrutura financeira, logística e operacional das facções que operam na Zona Oeste.

Fontes:
ecoserrano.com.br
g1.globo.com

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