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Astrônomos identificam sistema estelar único que gera pulsos de rádio com duração de segundos a minutos, desafiando teorias anteriores sobre esses fenômenos cósmicos.

Nos últimos anos, cientistas detectaram pulsos de rádio misteriosos originados da Via Láctea. Esses sinais surgem a cada duas horas, como um “batimento cardíaco cósmico”, durando entre 30 e 90 segundos. Até então, a origem desse fenômeno era desconhecida, mas uma nova descoberta revelou um sistema estelar responsável pela emissão desses pulsos.

Astrônomos identificaram que as explosões de rádio longas vêm de uma estrela anã branca, em órbita com uma anã vermelha. Essa interação entre as duas estrelas emite o que é conhecido como transiente de rádio de longo período (LPT), uma classe de fenômenos que até então era incomum.

Uma descoberta surpreendente

Em um estudo recente publicado na Nature Astronomy, os cientistas descreveram que o fenômeno não é causado apenas por estrelas de nêutrons, como se pensava antes, mas também por pares de estrelas próximas, como as observadas neste caso. “Essa descoberta marca o início de um entendimento mais profundo sobre os LPTs e suas origens,” afirmou a Dra. Iris de Ruiter, pesquisadora principal do estudo.

Como os pulsos foram identificados

O processo para identificar esses pulsos foi meticuloso. De Ruiter desenvolveu um método para analisar dados do Low-Frequency Array Telescope (LOFAR), que é uma rede de radiotelescópios espalhada pela Europa. A partir de observações feitas em 2015, ela e sua equipe encontraram os primeiros sinais vindos da região da Ursa Maior, que indicavam uma estrela anã vermelha como fonte.

Entretanto, o comportamento dos pulsos levou os cientistas a questionar se essa estrela poderia emitir tais ondas de rádio sozinha. Eles logo perceberam que a anã vermelha estava em órbita com uma anã branca, e o movimento resultante dessa interação causava os pulsos regulares.

O papel das estrelas em interação

O sistema estelar ILTJ1101, localizado a 1.600 anos-luz da Terra, é composto por uma anã branca e uma anã vermelha. As duas estrelas orbitam um centro comum de gravidade a cada 125,5 minutos, gerando os pulsos de rádio. Os cientistas acreditam que os campos magnéticos dessas estrelas estão interagindo, criando a emissão de rádio.

Além disso, os pesquisadores observam outras variáveis, como os movimentos da estrela anã vermelha, que provocam uma alteração nos pulsos, indicando uma interação complexa entre os campos magnéticos. O estudo desses eventos pode esclarecer como diferentes tipos de estrelas se comportam quando em pares e como suas interações geram sinais detectáveis na Terra.

Próximos passos na pesquisa

A equipe planeja continuar monitorando o sistema ILTJ1101, com a esperança de que mais dados possam ajudar a desvendar os mistérios dessa classe de estrelas. A pesquisa também se estende a outros sistemas que possam gerar fenômenos semelhantes. Segundo Kaustubh Rajwade, astrônomo da Universidade de Oxford e coautor do estudo, “cada nova descoberta revela mais sobre os objetos astrofísicos extremos e os fenômenos que eles geram”.

Conclusão

Este estudo não apenas revela a origem de pulsos de rádio misteriosos, mas também abre portas para o entendimento de interações complexas entre estrelas em sistemas binários. À medida que mais pesquisas forem realizadas, é possível que mais surpresas surjam sobre como esses sistemas cósmicos funcionam e sobre o impacto de seus sinais na nossa compreensão do universo.

Fontes: cnnbrasil.com.br

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