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Comissão investiga uso de sistemas de monitoramento e envolve nomes como Sérgio David e Thiago Menezes, além de abordar sonegação de impostos e resgates de carros a criminosos.

A CPI das Câmeras da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ), que investiga o uso irregular de sistemas de monitoramento em espaços públicos, deu um novo passo significativo nesta segunda-feira (22/09). Durante a oitiva, dois empresários de seguradoras de proteção veicular foram presos, e um famoso cantor, MC Poze, foi convidado para prestar esclarecimentos sobre um caso de roubo e rápida recuperação de seu veículo.

Prisões de Empresários

Sérgio Belo David e Thiago Lima Menezes foram detidos pela Comissão após se negarem a cooperar com as investigações. David, empresário ligado à associação Rio Ben Benefícios, foi convocado para explicar o depoimento de sua filha, Nathália David, que revelou desconhecer suas funções na entidade. Ela afirmou ter assumido a presidência apenas por influência de familiares. Já Thiago Menezes, presidente da seguradora de proteção veicular Êxodos, foi preso por falso testemunho após dar respostas contraditórias durante o depoimento. Ambos foram encaminhados à 4ª Delegacia de Polícia, no Rio de Janeiro.

O Caso MC Poze

A CPI também decidiu convocar o cantor MC Poze para prestar depoimento sobre o roubo e rápida recuperação de seu veículo, ocorridos recentemente. O caso chamou atenção pela rapidez na recuperação do carro, apenas algumas horas após o crime. A oitiva de MC Poze está marcada para uma das próximas sessões da Comissão.

Investigações de Sonegação e Movimentação Financeira

As investigações revelaram indícios de sonegação fiscal e movimentações financeiras suspeitas envolvendo a família David. A Comissão revelou que, embora a associação Rio Ben Benefícios alegue ser sem fins lucrativos, ela movimentou mais de R$ 124 milhões no último ano. As transações incluem até mesmo pagamentos questionáveis, como o de R$ 20 mil para o McDonald’s. Além disso, Paulo David, membro da associação, foi flagrado recebendo auxílio emergencial durante a pandemia de Covid-19, o que levantou suspeitas sobre a ética e a legalidade das operações familiares.

O deputado Rodrigo Amorim (União) também alertou para a gravidade da sonegação de impostos por parte das empresas investigadas. Ele sugeriu uma investigação mais aprofundada sobre os tributos municipais, estaduais e federais que estariam sendo burlados por essas empresas.

Pagamento de Resgates a Criminosos

Um dos pontos mais críticos abordados na CPI foi a prática de pagamento de resgates a criminosos para a recuperação de veículos roubados. O relator da Comissão, Filippe Poubel (PL), detalhou o funcionamento desse esquema, revelando que empresas de pronta resposta recuperam mais veículos do que a própria polícia. Segundo depoimentos de presos por roubos de veículos, os resgates são pagos diretamente aos traficantes, gerando uma “receita rápida do crime”.

Em depoimento, o major da Polícia Militar, Paulo Fernandes, confirmou a atuação de sua esposa, Lidiane Ferreira, dona da empresa Black Howk, especializada em recuperação de veículos roubados. Ele também admitiu que ajudava nas operações de resgates e fornecia informações estratégicas para a empresa.

O deputado Luiz Paulo (PSD) criticou a atuação de policiais em empresas privadas, considerando um risco para a imparcialidade e a confiança da sociedade na segurança pública.

Conclusão e Próximos Passos

O objetivo da CPI é reunir provas suficientes para embasar a elaboração de um relatório final que poderá subsidiar medidas legais e administrativas contra as práticas ilegais. O presidente da Comissão, Alexandre Knoploch (PL), reafirmou a seriedade das investigações e alertou sobre as consequências legais para aqueles que tentarem obstruir o processo.

Fontes: alerj.rj.gov.br

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