Ex-policial do Bope é investigado por ligação com Comando Vermelho • Reprodução
A Polícia Civil do Rio de Janeiro revelou que o ex-policial do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Ronny Pessanha, treinava traficantes do Comando Vermelho em troca de dinheiro. Por cada hora de aula, ele cobrava até R$ 1.500, segundo informações da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF).
Os treinamentos ocorriam na Zona Oeste da capital fluminense, principalmente em áreas dominadas pela facção, como Rio das Pedras e Muzema. Lá, Pessanha ministrava instruções de combate, técnicas de tiro e estratégias de incursão a criminosos armados com fuzis.
Áudios e vídeos comprovam os treinamentos armados
Vídeo de um dos treinos realizados por Pessanha
A CNN teve acesso a vídeos e conversas entre Pessanha e integrantes do Comando Vermelho. Nas imagens, traficantes aparecem em exercícios físicos, simulações de tiroteios e manuseio de armamentos de uso restrito.
Em um dos áudios, Pessanha afirma ser uma “referência em incursões e treinamento de guerra”. Em outro trecho, ele reclama dos riscos:
“Vai que eu preciso incursionar, fazer algum bagulho. Porra, eu vou morrer, e eu sou referência, né, cara?”
Além disso, mensagens trocadas com o traficante Manoel Cinquini Pereira, o Paulista, mostram cobranças por sessões de treinamento não cumpridas. Paulista, apontado como líder do Complexo da Penha, exigiu mais comprometimento do ex-policial com os horários combinados.
Ligação com o tráfico e aluguel de carros de luxo
A Polícia também descobriu que Ronny usava sua empresa de segurança privada para alugar veículos de alto padrão a traficantes. Um dos contratos envolveu a locação de um McLaren avaliado em R$ 2 milhões. O veículo foi alugado por R$ 460 mil a Paulista, que atualmente está foragido.
Além de Paulista, outro traficante citado nas investigações é Willian Sousa Guedes, o Corolla. Pessanha relatou em áudio um encontro no alto do morro com o criminoso e se queixou do desgaste físico e dos riscos.
Pessanha já havia sido preso e expulso da PM
A Polícia Militar expulsou Pessanha em 2022, após ele ter sido preso em 2020 por envolvimento com milicianos, extorsão e grilagem de terras. Mesmo após cumprir pena, ele retornou à criminalidade, desta vez aliado ao tráfico local. A DRF destacou que a disputa por territórios entre milícias e traficantes facilitou sua reinserção no crime.
Operação Contenção prendeu envolvidos
A Polícia Civil prendeu Ronny Pessanha em março deste ano, durante a “Operação Contenção”, que mirou quadrilhas da Zona Oeste. Além dele, Corolla e Paulista também foram denunciados pelo Ministério Público pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e associação ao tráfico.
Fonte: cnnbrasil.com.br