No final de setembro, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Saquarema, por meio de seu Programa de Monitoramento da Fauna, registrou a presença de uma fêmea do formigueiro-do-litoral (Formicivora littoralis), uma das aves mais ameaçadas do Brasil. O avistamento ocorreu em uma área de restinga da Região dos Lagos, no Rio de Janeiro, e foi identificado pela ornitóloga Thayane Patusco, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Esse registro é considerado um marco para a conservação da espécie, que possui uma população estimada em menos de 2.500 indivíduos no mundo, conforme dados do Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), do Ministério do Meio Ambiente.
O formigueiro-do-litoral é uma espécie endêmica das restingas do litoral fluminense, ocorrendo exclusivamente em uma faixa de aproximadamente 40 km, desde a Reserva Ecológica de Jacarepiá, em Saquarema, até a Ilha de Cabo Frio, em Arraial do Cabo. Sua principal ameaça é a perda de habitat devido à expansão imobiliária e à presença de espécies invasoras, como o sagui-de-tufos-brancos, que predam ovos e filhotes.
Além do formigueiro-do-litoral, as câmeras do programa também registraram outras espécies de interesse, como o lagarto teiú e a saracura-três-potes. Esses registros reforçam a importância das políticas ambientais implementadas pela Prefeitura de Saquarema, que visam proteger a biodiversidade local e promover a sustentabilidade na região.
A prefeita Lucimar Vidal destacou que o avistamento da ave é um reflexo do compromisso da administração municipal com a preservação ambiental. “Este registro é a prova viva de que o investimento na preservação do nosso meio ambiente gera resultados concretos e visíveis”, afirmou. O secretário de Meio Ambiente, Gilmar Magalhães, acrescentou que a descoberta comprova a eficácia do programa e amplia o engajamento da população na proteção da biodiversidade.
O Programa de Monitoramento da Fauna continua em andamento, com o objetivo de mapear a biodiversidade local e fornecer dados técnicos que orientem ações de preservação, como o fortalecimento de corredores ecológicos e a proteção de habitats essenciais, como a restinga, fundamental para a proteção do solo e a prevenção de alagamentos.