A Justiça Federal manteve a decisão que impede a demolição do Memorial do Holocausto do Rio de Janeiro, localizado no Mirante do Pasmado, em Botafogo. O Tribunal Regional Federal (TRF) negou a ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF), que alegava que a obra comprometia o tombamento histórico da área e feria diretrizes de proteção cultural reconhecidas pela Unesco.
Com a decisão, o espaço cultural e educativo permanece em atividade, reforçando sua função como local de memória e reflexão histórica.
Histórico da disputa
O MPF alegava que a instalação do memorial violava restrições impostas pelo Iphan, por estar em uma área de preservação ambiental e paisagística. No entanto, o TRF manteve a liminar favorável ao funcionamento do espaço, alegando ausência de dano irreparável ao patrimônio e relevância da iniciativa para fins educacionais e culturais.
Além disso, a decisão reforça que o memorial não interfere de forma agressiva na paisagem da cidade, como havia sido sugerido inicialmente.
Projeto e investimento
O Memorial do Holocausto foi inaugurado em janeiro de 2023, após mais de 30 anos de idealização. O projeto recebeu R$ 15 milhões em investimentos exclusivamente da iniciativa privada. Ele ocupa uma área de 4 mil metros quadrados cedida pela Prefeitura do Rio e abriga um museu com 1,8 mil metros quadrados de exposições permanentes, experiências interativas e atividades educativas voltadas especialmente para estudantes da rede pública municipal.
Sua arquitetura minimalista e moderna se destaca no Parque Yitzhak Rabin, contribuindo para a requalificação da área, antes marcada pelo abandono.
Crise recente
Apesar do avanço jurídico, o memorial enfrentou uma grave crise financeira no fim de 2024. Funcionários chegaram a receber aviso prévio coletivo, terceirizados relataram atrasos salariais desde agosto e o museu funcionou por mais de dois meses sem ar-condicionado.
A administração anunciou, à época, uma suspensão temporária das atividades, alegando realização de obras estruturais. No entanto, a real motivação foi a falta de recursos operacionais.
Papel social e cultural
O Memorial do Holocausto do Rio homenageia mais de 11 milhões de vítimas do regime nazista, incluindo judeus, ciganos, homossexuais, comunistas e Testemunhas de Jeová. Além de preservar a memória histórica, o espaço realiza ações culturais, educativas e cidadãs.
Os idealizadores destacam que o memorial atua como um centro de reflexão e formação social, com cursos gratuitos, exposições históricas e parcerias com escolas. Sua permanência representa um marco de resistência contra o apagamento da memória.
Fontes: oglobo.globo.com/diariodorio.com/