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Entrada da gigante chinesa e retorno da 99Food prometem alterar o cenário atual do setor, pressionando taxas, ampliando concorrência e estimulando a digitalização.

A chegada da Meituan ao Brasil até o fim de 2025 promete abalar o domínio do iFood no setor de delivery. Considerada a maior empresa de entregas do mundo, a plataforma chinesa acumula um GMV 12 vezes superior ao do iFood e uma receita de US$ 46 bilhões.

O movimento não é isolado. A Didi também anunciou a volta da 99Food ao país, mirando cidades de médio e pequeno porte, com foco em serviços urbanos integrados. Ambas as gigantes sinalizam uma reconfiguração profunda no mercado brasileiro de entregas, hoje altamente concentrado.

Concorrência em expansão: novos players, novas estratégias
A Meituan já possui registro no Brasil desde 2020. Desde então, executivos da empresa têm conversado com empresários, operadores logísticos e fornecedores locais. O objetivo é mapear o mercado e estruturar uma operação eficiente.

A empresa vai além da entrega de alimentos. Na China, também atua com turismo, mobilidade urbana e reservas de hotéis, consolidando-se como um verdadeiro “super app”. Ainda não se sabe se essa abordagem multifuncional será replicada por aqui, mas especialistas apontam que há espaço para uma transformação parecida.

Já a 99Food, braço da Didi, retorna com uma estratégia diferente da que fracassou anos atrás. Desta vez, a aposta está nas cidades fora dos grandes centros, aproveitando lacunas logísticas ainda não exploradas por completo pelo iFood.

Desafios à hegemonia do iFood
O iFood atualmente domina mais de 80% do mercado nacional. A plataforma contabiliza 55 milhões de usuários ativos, 380 mil estabelecimentos parceiros e cerca de 110 milhões de pedidos mensais. As taxas cobradas dos restaurantes variam entre 12% e 23%, além de mensalidades e comissões sobre pagamentos.

A principal queixa dos estabelecimentos é a dependência do iFood, que limita o poder de negociação. Para Cristina Sousa, CEO da Gouvêa Foodservice, a entrada de novos concorrentes pode melhorar essa relação. “Se houver clareza na proposta de valor, os restaurantes terão alternativas reais e negociações mais equilibradas”, avalia.

Tecnologia e cultura do super app
Especialistas como Leandro Guissoni, professor da FGV, enxergam um potencial transformador na Meituan. “O uso avançado de dados, analytics e ecossistemas pode acelerar a digitalização do setor”, afirma. A chegada da gigante chinesa pode também impulsionar a formação de super apps no Brasil, o que seria inédito por aqui.

Apesar do otimismo, Guissoni ressalta que a operação será complexa. As dificuldades envolvem desde a adaptação às leis e à logística brasileira até as tensões já existentes com entregadores. Greves recentes pedem melhores condições de trabalho, reajustes nas taxas mínimas e proteção em caso de acidentes.

Histórico de tentativas frustradas
O Brasil já testemunhou saídas de players relevantes. Uber Eats, James Delivery, Glovo e a própria 99Food encerraram suas operações nos últimos anos por não conseguirem ganhar espaço. Os motivos variam, mas apontam para a dificuldade em competir com um sistema altamente concentrado e dominado por quem já detém escala e conveniência.

Cristina Sousa observa que, para competir, as novas empresas precisam oferecer não apenas preços mais atrativos, mas também conveniência, integração e capilaridade. “Se não houver diferencial relevante e capacidade de execução, o volume de pedidos dificilmente justificará o investimento”, alerta.

Coexistência ou conflito?
Curiosamente, a Prosus — dona do iFood — detém 4% das ações da Meituan. Isso abre margem para especulações sobre uma possível convivência estratégica entre as marcas. Guissoni acredita que haverá sobreposição, mas também espaço para coexistência, com benefícios temporários para consumidores, restaurantes e entregadores.

Fontes:
ecommercebrasil.com.br
mercadoeconsumo.com.br

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