Obras de restauração da Estação Leopoldina são paralisadas por falta de pagamento — Foto: Reprodução/TV Globo
Menos de um ano após o início da restauração da Estação Leopoldina, a empresa responsável pela obra interrompeu os trabalhos por falta de pagamento da Prefeitura do Rio. A Concrejato, que venceu a licitação, afirma que a última transferência financeira ocorreu em novembro de 2024. Desde então, o município não realizou mais repasses, acumulando uma dívida de R$ 7,8 milhões.
Apesar da promessa de reforma completa do terminal ferroviário, a prefeitura não apresentou um novo cronograma. Técnicos começaram a recolher materiais e realizaram a limpeza do canteiro há cerca de dez dias. A obra foi oficialmente suspensa em abril de 2025.
Contrato milionário e promessas ambiciosas
Orçada em mais de R$ 72 milhões, a revitalização fazia parte de um amplo projeto de requalificação urbana. A cessão do terreno, que tem 125 mil m², foi acordada com a União em fevereiro de 2024, após negociações em Brasília. Como contrapartida, a prefeitura assumiu a responsabilidade de restaurar o prédio histórico, que tem 99 anos.
O projeto previa a transformação da Estação Leopoldina em um polo cultural e urbano. Entre as estruturas anunciadas estavam:
- Centro de convenções
- Complexo para escolas de samba da Série Ouro (Cidade do Samba 2)
- Bairro com 700 moradias populares via Minha Casa, Minha Vida
- Clínica da Família
- Escola pública modelo Get (Ginásio Experimental Tecnológico)
No entanto, nenhuma das intervenções além da reforma do prédio foi iniciada. Até o momento, também não está definido quem financiará esses equipamentos públicos.
Divergências e novas diretrizes para o espaço
Em nota, a Prefeitura do Rio alegou que interrompeu os pagamentos após receber denúncias sobre irregularidades trabalhistas na condução da obra. Segundo o prefeito Eduardo Paes, havia indícios de que a Concrejato descumpria normas de segurança e colocava funcionários em risco.
A empresa, por outro lado, negou as acusações. Em resposta oficial, a Concrejato declarou que “não existem denúncias de falta de segurança feitas por funcionários, assim como não há pendências trabalhistas”. A construtora também afirmou que a paralisação ocorreu de forma negociada com a prefeitura, devido à inadimplência.
Futuro do terreno dependerá de concessão à iniciativa privada
Nesta segunda-feira (9), o Ministério da Gestão e da Inovação e a Prefeitura do Rio anunciaram uma nova diretriz para o imóvel. Um acordo firmado prevê que o BNDES ficará responsável por elaborar estudos técnicos, jurídicos e econômicos para definir os melhores usos da área.
Segundo o comunicado, a área deverá ser concedida à iniciativa privada. Caberá aos futuros investidores arcar com os custos dos estudos e com a maior parte dos investimentos. A União não prevê repasses financeiros diretos para a prefeitura.
Fonte: g1.globo.com