A Polícia Civil do Rio de Janeiro localizou um cemitério clandestino utilizado pelo Comando Vermelho na comunidade da Chacrinha, em Praça Seca, Zona Oeste da capital. A operação, realizada na manhã de segunda-feira (14), revelou o que parece ser um dos pontos de descarte de corpos usados pela facção após a expulsão de milicianos da região, em 2024.
A ação foi coordenada pela Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE), que contou com o auxílio de cães farejadores e agentes do Corpo de Bombeiros. O local, de difícil acesso, fica em uma área de mata fechada conhecida como Serenidade, no alto da favela.
Execuções ligadas ao domínio do tráfico
De acordo com a investigação, a facção passou a executar sistematicamente pessoas com qualquer suposta ligação com os antigos milicianos que dominavam a região. As vítimas eram mortas, tinham os corpos queimados e depois enterrados no terreno isolado. A descoberta veio após um aumento preocupante no número de desaparecimentos registrados na região desde que o Comando Vermelho assumiu o controle da comunidade.
A delegada Ellen Souto, responsável pela DDPA, afirmou que a operação faz parte de um esforço contínuo para localizar vítimas e combater a prática de ocultação de cadáveres promovida por facções criminosas.
Além das ossadas: drogas e material do tráfico
Durante a operação, os agentes também encontraram uma casa utilizada como depósito do tráfico. No interior do imóvel, havia:
- 467 papelotes de maconha
- 455 papelotes de crack
- 345 papelotes de cocaína
- 310 unidades de lança-perfume
- 75 comprimidos de ecstasy
- Rádios transmissores e um colete balístico

Houve grande apreensão na operação – Foto: Divulgação
A estrutura revela que o local não era apenas usado para ocultação de cadáveres, mas também como ponto estratégico de armazenamento e apoio logístico do tráfico. Nenhum criminoso foi localizado no momento da incursão.
Ossadas serão analisadas pelo IML
As ossadas encontradas foram recolhidas e encaminhadas ao Instituto Médico-Legal (IML), no Centro do Rio, onde passarão por análise do setor de Antropologia Forense. Exames de DNA serão realizados para cruzamento com os dados de familiares de pessoas desaparecidas. A polícia espera, com isso, esclarecer o paradeiro de diversas vítimas que constam nos registros da DDPA.
A delegada Ellen reforçou que “a identificação dessas ossadas pode ajudar a desmontar uma parte importante do ciclo de violência sistemática promovido por facções criminosas na Zona Oeste”.
Fontes:
tnh1.com.br
g1.globo.com