Oruam se entrega à polícia — Foto: Kleyton Cintra/TV Globo
O rapper Mauro Davi Nepomuceno dos Santos, conhecido como Oruam, passou a noite de terça-feira (22) no Presídio de Benfica, no Rio de Janeiro. Ele se entregou à polícia após a Justiça decretar sua prisão preventiva.
Oruam é acusado de proteger um adolescente foragido durante operação policial no bairro do Joá, na Zona Oeste do Rio. A ação gerou confronto com agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), o que agravou sua situação.
Transferência e local da prisão
A transferência do cantor para a Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, ocorreu por volta das 20h30. O presídio é uma das portas de entrada do sistema penitenciário do estado, onde presos federais e provisórios aguardam julgamento.
Oruam foi indiciado por sete crimes: tráfico de drogas, associação ao tráfico, resistência qualificada, desacato, dano qualificado, ameaça e lesão corporal.
Vídeo antes da prisão
Minutos antes de se apresentar à Cidade da Polícia, o artista postou um vídeo nas redes sociais. Nele, Oruam pediu desculpas aos fãs e negou envolvimento com o crime.
“Errei. Desculpa aí todo mundo. Eu vou dar a volta por cima e vencer através da minha música. Não sou bandido”, declarou o rapper.
Após a publicação, a conta de Oruam saiu do ar. No entanto, o vídeo já havia sido salvo e divulgado por portais de notícias.
Confronto no Joá e ligação com o Comando Vermelho
A Polícia Civil afirma que Oruam impediu a apreensão de um menor de idade envolvido com o tráfico. O adolescente, apontado como segurança de um dos chefes do Comando Vermelho, também se entregou posteriormente.
Durante a operação, amigos do cantor atacaram os agentes com pedras. Um policial ficou ferido. A ação ocorreu na casa do rapper, onde o adolescente estava escondido.
Secretário de Polícia classifica Oruam como faccionado
Segundo o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, a atuação de Oruam ultrapassou os limites da arte. Ele classificou o cantor como ligado diretamente à facção Comando Vermelho.
“Não há mais dúvidas. Oruam não é apenas um artista periférico. Ele atua como criminoso, protegido pela facção que seu pai, Marcinho VP, ainda comanda à distância”, declarou o secretário.
Além disso, a polícia encontrou fotos do cantor com Doca, chefe do tráfico na Penha, e Rabicó, outro líder da organização em São Gonçalo.
Investigação aponta casa como abrigo de foragidos
A DRE afirmou que a casa de Oruam se tornou um ponto de abrigo para criminosos. A delegacia também ressaltou que ele usava sua posição pública para intimidar e desacreditar a atuação policial.
O inquérito aponta que a influência do rapper nas redes sociais pode ter servido para fortalecer a narrativa da facção.
Fonte: g1.globo.com