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Projeto da Prefeitura do Rio promete melhorar acessibilidade e trânsito na Lapa, mas especialistas alertam para risco de danos ao patrimônio histórico da região.

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A Prefeitura do Rio de Janeiro planeja revitalizar o entorno da Escadaria Selarón, um dos pontos turísticos mais visitados da cidade, localizado entre os bairros da Lapa e de Santa Teresa. O projeto, orçado em R$ 1,9 milhão, prevê melhorias na infraestrutura urbana, incluindo o nivelamento das calçadas com o asfalto, reorganização do trânsito e um novo ponto de embarque para vans de turismo.

Apesar do entusiasmo de comerciantes e profissionais do setor turístico, historiadores levantam preocupações sérias sobre possíveis impactos ao patrimônio cultural e à população local.

Obras prometem transformar mobilidade no coração da Lapa

De acordo com o projeto, o entorno da escadaria — especificamente nas ruas Joaquim Silva, Visconde de Maranguape e Teotônio Regadas — será reformulado. A proposta prevê o nivelamento das calçadas com as pistas, melhorias no calçamento, substituição parcial dos paralelepípedos por piso intertravado e a restauração da tradicional calçada de pedra portuguesa, que manterá a padronização na cor branca.

Além disso, a Rua Teotônio Regadas deve se tornar uma via de serviço, facilitando a circulação de pedestres na área e promovendo maior fluidez no fluxo de visitantes.

Setor turístico aprova proposta e vê avanço na acessibilidade

Guias turísticos, comerciantes locais e frequentadores elogiaram o plano da prefeitura. Muitos argumentam que a escadaria, famosa por sua estética e importância cultural, precisa de estrutura condizente com sua relevância internacional.

O fotógrafo Alex Sander, morador de Vitória e visitante frequente da escadaria, acredita que as mudanças são bem-vindas. Ele defende especialmente a melhoria da acessibilidade: “Penso que a reforma pode ajudar, sim. Nem sempre é fácil para todos acessarem a escadaria, e qualquer adaptação nesse sentido é positiva.”

Historiadores pedem estudo arqueológico e cautela com gentrificação

Por outro lado, especialistas em preservação do patrimônio cultural demonstraram preocupação com o projeto. O historiador Rafael Mattoso defende que a região exige cuidados rigorosos devido à sua importância histórica e à presença de imóveis tombados, como os Arcos da Lapa, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Lapa do Desterro e a Escola de Música da UFRJ.

Mattoso alerta para a necessidade de estudos arqueológicos prévios, além da instalação de janelas arqueológicas para proteger possíveis achados durante a abertura do solo. Ele também teme que o projeto acabe incentivando a gentrificação, afastando moradores antigos e trabalhadores da região.

“O ordenamento urbano não pode ignorar a permanência das pessoas que vivem ali há décadas. A memória local deve ser preservada junto com o turismo”, afirmou o historiador.

Obra ainda depende de licitação e deve durar seis meses

A execução da reforma só começará após a conclusão da licitação, prevista para agosto. Depois de definida a empresa responsável, a estimativa da Prefeitura é que os trabalhos durem cerca de seis meses.

O projeto, embora ainda pendente de aprovação final, já provoca debates importantes sobre o equilíbrio entre desenvolvimento urbano, acessibilidade, conservação do patrimônio e respeito à identidade cultural da cidade.

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