Um levantamento da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) revelou que 30% das equipes de Saúde da Família no Rio de Janeiro estão operando acima da capacidade máxima recomendada. De acordo com os dados, que correspondem a fevereiro de 2025, 89% das 1.327 equipes da cidade têm mais de 3.000 pacientes cadastrados, o que ultrapassa o limite estabelecido pelo Ministério da Saúde (MS).
A portaria do MS, que estabelece que cada equipe de Saúde da Família em municípios com mais de 100 mil habitantes pode ter até 3.000 pessoas vinculadas, está sendo desrespeitada por várias equipes no Rio. Do total de equipes, 1.182 já ultrapassaram esse número, sendo que 401 delas ultrapassam até o limite de 4.500 pacientes — considerado 50% acima do recomendado.
A sobrecarga e suas consequências
A sobrecarga das equipes tem gerado um impacto significativo na qualidade do atendimento. Algumas unidades, como a do Bosque da Barra, na Zona Oeste, estão atendendo quase 20 mil pessoas, bem acima do que é recomendado. A pressão sobre os profissionais de saúde prejudica a qualidade e a agilidade dos serviços prestados.
O secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, destacou que, para amenizar o problema, a prefeitura tem feito investimentos substanciais na ampliação das equipes e das Clínicas de Família. Até o momento, já foram inauguradas mais de 130 unidades, e novas clínicas estão previstas para abrir.
Desigualdade entre as equipes
Embora muitas equipes estejam sobrecarregadas, outras estão com a capacidade abaixo do esperado. A equipe do Maracanãzinho, na Zona Norte, por exemplo, conta com apenas 46 pacientes cadastrados. Há ainda 42 equipes na cidade com menos de 400 pessoas em seus registros.
Essas disparidades no número de pacientes vinculados a cada equipe indicam falhas na distribuição de recursos e na organização da rede de atenção à saúde, o que pode comprometer a cobertura de serviços em áreas que realmente necessitam de mais atenção.
Investimentos na saúde da população
As equipes de Saúde da Família desempenham um papel crucial no atendimento de saúde da população carioca. Elas realizam ações preventivas, de acompanhamento e atendem às necessidades tanto individuais quanto coletivas de cada território. Esse modelo de atendimento visa descentralizar o serviço e permitir maior proximidade com a população.
A ampliação das equipes e das Clínicas de Família é vista como uma estratégia essencial para atender à crescente demanda da cidade, buscando um equilíbrio entre a sobrecarga de algumas unidades e o subaproveitamento de outras.
Fontes: diariodorio.com