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No Dia Mundial da Alimentação, celebrado nesta sexta-feira (16), programas de doação e leis estaduais destacam alternativas para reduzir o desperdício e ampliar o acesso à comida.

Enquanto milhões de brasileiros enfrentam dificuldades para garantir uma alimentação adequada, toneladas de alimentos ainda próprios para consumo são descartadas diariamente. No Dia Mundial da Alimentação, celebrado nesta sexta-feira (16 de outubro), iniciativas desenvolvidas no Rio de Janeiro e leis aprovadas pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) mostram como o combate ao desperdício pode contribuir para reduzir a insegurança alimentar.

Segundo estimativas divulgadas pelo Pacto Contra a Fome, cada brasileiro desperdiça, em média, 77 quilos de alimentos por ano. Um diagnóstico elaborado pela organização em parceria com a Integration Consulting, em 2022, estima que 55,4 milhões de toneladas de alimentos sejam perdidas ou desperdiçadas anualmente no país, considerando todas as etapas da cadeia produtiva.

As perdas ocorrem desde a produção agrícola até o consumo, passando pelo armazenamento, transporte, comercialização e preparo das refeições.

No Rio, alimentos que seriam descartados ajudam a preparar milhares de refeições

Uma das iniciativas de reaproveitamento de alimentos no estado é o programa Destino Certo, desenvolvido pelo Assaí Atacadista.

Entre janeiro e agosto de 2026, o programa destinou 267 toneladas de frutas, legumes e verduras para organizações sociais e bancos de alimentos no Rio de Janeiro.

De acordo com o balanço divulgado pela empresa, os produtos contribuíram para o preparo de aproximadamente 490 mil refeições.

Os alimentos encaminhados às instituições apresentavam características visuais que reduziam seu valor comercial, mas continuavam adequados para o consumo.

A estratégia permite que produtos que poderiam ser descartados cheguem às mesas de pessoas em situação de vulnerabilidade.

Tecnologia conecta doadores a instituições sociais

Outra iniciativa de combate à fome é o Instituto Fome de Tudo, fundado por Úrsula Corona. A organização utiliza ferramentas tecnológicas para aproximar empresas que possuem excedentes de alimentos de instituições sociais que precisam receber doações.

Segundo dados divulgados pelo instituto, a iniciativa já beneficiou aproximadamente 400 mil pessoas e contribuiu para a distribuição de 9 milhões de refeições.

Atualmente, a organização informa movimentar cerca de 500 toneladas de alimentos por mês, com o apoio de uma rede de 4,5 mil parceiros.

O trabalho também busca fortalecer pequenos produtores e ampliar o alcance das ações de segurança alimentar.

Em parceria com o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (WFP), o instituto desenvolve a campanha Fome Não Tira Férias, voltada à alimentação de crianças durante períodos de férias e recessos escolares.

Bancos de alimentos ampliam distribuição no estado

O Banco de Alimentos da Ceasa também desempenha um papel importante na redistribuição de produtos.

Em agosto de 2026, a instituição captou 100 toneladas de alimentos, beneficiando aproximadamente 60 mil pessoas atendidas por 300 instituições, conforme balanço divulgado em setembro.

Os produtos são obtidos por meio de doações de empresas que atuam na central de abastecimento e de compras da agricultura familiar realizadas pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

Outra frente é o Sesc Mesa Brasil RJ, que recolhe alimentos próprios para consumo que deixariam de ser comercializados e os distribui para organizações socioassistenciais cadastradas.

O programa também desenvolve atividades educativas sobre aproveitamento integral dos alimentos e mantém parcerias com agricultores de Nova Friburgo para evitar o descarte de excedentes da produção.

A Ação da Cidadania, conhecida pela campanha Natal sem Fome, também realiza arrecadações e distribuições. Na sede nacional, localizada no Rio, a entidade mantém iniciativas como banco de alimentos, Cozinha Solidária e projetos de formação em gastronomia social.

Leis da Alerj estabelecem medidas para combater a insegurança alimentar

Além das iniciativas sociais, o Estado do Rio de Janeiro possui leis voltadas à ampliação do acesso à alimentação.

A Lei 10.543/2024, de autoria da deputada estadual Renata Souza (Psol), instituiu o Programa Estadual para a Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar, Pequenos Produtores e Pescadores Artesanais.

A legislação prevê a compra de produtos para o atendimento de pessoas em situação de vulnerabilidade e o abastecimento de restaurantes e cozinhas comunitárias, coletivas e solidárias.

Outra medida é a Lei 10.702/2025, de autoria do deputado Danniel Librelon (Republicanos), que instituiu o Programa de Segurança Alimentar para Atendimento de Pessoas em Situação de Rua.

Já a Lei 10.793/2025, de autoria da deputada Marina do MST (PT), estabelece a notificação compulsória, por profissionais e gestores de saúde, de casos em que existam indícios de insegurança alimentar e nutricional.

A medida busca melhorar a identificação das populações que enfrentam dificuldades de acesso à alimentação, contribuindo para o planejamento de políticas públicas.

Pequenas mudanças em casa também ajudam a reduzir o desperdício

Além das políticas públicas e das doações, especialistas destacam que o combate ao desperdício também depende de mudanças nos hábitos de consumo.

Planejar as compras, verificar os alimentos disponíveis antes de ir ao supermercado e armazenar corretamente os produtos são medidas que podem evitar perdas e contribuir para a economia doméstica.

A nutricionista Lilian Gullo explica que partes de vegetais normalmente descartadas podem ser utilizadas em diferentes receitas.

Talos de brócolis, couve e beterraba, por exemplo, podem ser aproveitados em sopas e refogados. Folhas de cenoura e beterraba também podem ser utilizadas no preparo de omeletes, bolinhos e farofas.

Cascas de alguns vegetais podem ser incorporadas a receitas, desde que estejam em boas condições e recebam higienização e preparo adequados.

A redução do desperdício representa não apenas uma economia financeira, mas também um melhor aproveitamento dos recursos naturais utilizados na produção dos alimentos.

No Dia Mundial da Alimentação, as ações desenvolvidas no Rio reforçam a importância de integrar políticas públicas, empresas, organizações sociais e consumidores para ampliar o acesso à comida e combater as perdas ao longo de toda a cadeia alimentar.

Fontes

Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj)

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