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Agência Internacional de Energia Atômica alerta para risco real de liberação radioativa após bombardeios contra estruturas nucleares no Irâ.

Foto: AFP

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, alertou nesta sexta-feira (20), em reunião do Conselho de Segurança da ONU, que um ataque direto à usina nuclear de Bushehr, no Irã, pode desencadear uma catástrofe radiológica de grandes proporções. Segundo ele, embora não tenham sido registradas emissões até o momento, os riscos são reais e elevados.

O alerta ocorre após oito dias de bombardeios israelenses contra instalações nucleares iranianas, com objetivo declarado de impedir o avanço do programa nuclear do país persa. Em resposta, o Irã lançou mísseis e drones contra o território israelense.

Instalações atingidas e riscos potenciais

Israel confirmou ataques a Natanz, Isfahan, Karaj e Teerã. A AIEA relatou danos em diversas estruturas, incluindo a usina subterrânea de enriquecimento de urânio de Natanz e a planta de conversão de urânio em Isfahan. Em Khondab (Arak), o reator de água pesada parcialmente construído também sofreu impactos.

Apesar de nenhuma dessas instalações ter liberado radiação até agora, especialistas alertam que o perigo é elevado, sobretudo se o reator de Bushehr, ativo e com milhares de quilos de material nuclear, for atingido. A dispersão de radioatividade poderia se espalhar por centenas de quilômetros e obrigar restrições alimentares em massa.

Consequências ambientais e hidráulicas no Golfo Pérsico

Países do Golfo como Catar, Bahrein, Emirados Árabes e Arábia Saudita demonstram preocupação com os riscos de contaminação das águas do Golfo Pérsico. A maioria dessas nações depende quase integralmente da dessalinização da água marinha para consumo humano. Qualquer contaminação radiológica poderia comprometer o abastecimento de milhões.

Segundo o professor Nidal Hilal, especialista em engenharia hídrica, um vazamento radioativo teria impacto imediato nas usinas costeiras de dessalinização. “Centenas de milhares de pessoas perderiam acesso à água potável quase instantaneamente”, afirmou.

ONU pede moderação e diálogo diplomático

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu às partes envolvidas que deem “uma chance à paz”. Em paralelo, representantes do Irã, União Europeia, França, Alemanha e Reino Unido retomaram o diálogo sobre o programa nuclear iraniano em Genebra.

Grossi reforçou a necessidade urgente de acesso dos inspetores da AIEA às instalações danificadas para garantir que o material enriquecido a 60% esteja devidamente controlado.

Fontes:
g1.globo.com
cnnbrasil.com.br
noticias.uol.com.br

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