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Estudo inédito associa tiroteios e operações policiais a perdas expressivas nas escolas periféricas.

Pesquisadores da UFRJ e Uerj mostram que alunos de escolas localizadas em áreas com seis ou mais confrontos armados perdem, em média, 65% do aprendizado esperado em língua portuguesa ao chegarem ao 5º ano. Em matemática, o prejuízo equivale a um ano inteiro de estudos.

Causas estruturadas

O estudo conclui que frequentes operações policiais e tiroteios interrompem aulas e envolvem o fechamento de escolas. Além disso, geram faltas de professores e alunos, elevando o estresse e reduzindo a capacidade de concentração dos estudantes.

Efeitos quantitativos sombrios

Numa escala pedagogicamente significativa, os alunos perdem 7,2 pontos em português e 9,2 em matemática na Prova Brasil, quando expostos a contextos violentos, comparado ao cenário ideal.

Violência como barreira cumulativa

Segundo relatório recente, metade dos estudantes da rede pública no Grande Rio está exposta à violência armada em sua rotina escolar. Estudantes em áreas controladas por grupos armados apresentam desempenho até 10 pontos inferior na escala do Saeb, o que equivale a cerca de seis meses de aprendizado perdido.

Causas psicológicas e de abandono

O impacto negativo inclui o fechamento recorrente de escolas, maior absenteísmo, estresse crônico, dificuldade de aprendizado e maior risco de reprovação ou abandono. Tais consequências afetam todo o ciclo educacional e se acumulam ao longo dos anos.

Pesquisa inédita com base territorial

O estudo “O Impacto da Guerra às Drogas na Educação das Crianças das Periferias do Rio de Janeiro” foi publicado na revista Dados, da Uerj. A pesquisa levou em conta não apenas os resultados da Prova Brasil, mas também registros de diretores escolares por meio de um aplicativo da Secretaria Municipal de Educação, hoje desativado. Ao todo, foram analisadas 32 escolas localizadas em territórios marcados por violência armada.

Método e rigor científico

Os pesquisadores compararam escolas semelhantes em estrutura, gestão e perfil socioeconômico, isolando o fator da violência como principal variável de impacto. Os dados utilizados são de 2019, para evitar contaminações causadas pelos efeitos da pandemia. Os resultados mostraram perdas significativas de aprendizado já no 5º ano, indicando um histórico contínuo de prejuízo educacional.

Assinatura técnica

Assinam a pesquisa os professores Tiago Bartholo e Mariane Koslinski, da UFRJ, o professor Ignacio Cano, da Uerj, além das doutorandas Rachel Machado e Mariana Siracusa.

Fontes: agenciabrasil.ebc.com.br

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