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Durante mais de duas horas, o ex-presidente afirmou que discutiu “alternativas legais” com militares, pediu desculpas por acusações sem provas e classificou apoiadores radicais como “malucos”.

ex-presidente Jair Bolsonaro – 09/06/2025 – Ton Molina
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) prestou depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (10), durante a fase de instrução da ação penal que investiga tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Sentado frente a frente com o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, Bolsonaro adotou uma postura surpreendentemente tranquila, recusou confrontos e seguiu fielmente a estratégia de sua defesa.

Durante duas horas e nove minutos de interrogatório, Bolsonaro negou qualquer plano para interromper a posse de Lula. No entanto, admitiu ter discutido com militares algumas “saídas legais” para contestar o resultado das urnas.

Discussão sobre GLO e minuta do golpe

Segundo o ex-presidente, houve reuniões no Palácio do Alvorada para avaliar a decretação de uma Garantia da Lei e da Ordem (GLO), motivadas pelas manifestações em frente aos quartéis e pelos bloqueios feitos por caminhoneiros. Bolsonaro insistiu que todas as possibilidades debatidas estavam “dentro da Constituição”.

Ele confirmou a existência de uma minuta, redigida por assessores, mas negou qualquer envolvimento direto na sua elaboração. “Não escrevi, não digitei, não alterei nada. Não tenho responsabilidade sobre essa minuta”, afirmou. Ainda assim, admitiu que ela foi discutida com comandantes das Forças Armadas em dezembro de 2022.

Postura calma e tom de desculpas

No início do depoimento, Bolsonaro pediu desculpas a Moraes por tê-lo acusado, sem provas, de envolvimento em suposta fraude eleitoral. Ele admitiu não possuir qualquer indício para as declarações e atribuiu as falas a um “desabafo” em uma reunião privada. “Não tinha a intenção de acusar de qualquer desvio de conduta”, declarou.

A estratégia de cordialidade, segundo ministros do STF, seguiu o roteiro treinado pelos advogados dos réus e teve o objetivo de evitar tensões que pudessem ser exploradas nas redes sociais por apoiadores.

Apoiadores radicais decepcionados

Bolsonaro também desautorizou parte de sua base mais radical. Chamou de “malucos” os que pediram um novo AI-5 ou uma intervenção militar após o resultado das eleições. “As Forças Armadas jamais embarcariam nisso. Tocamos o barco dentro da legalidade”, afirmou.

A atitude irritou setores mais extremistas, que esperavam um embate direto com Moraes e manifestações mais agressivas. Em vez disso, Bolsonaro brincou com o ministro e chegou a convidá-lo, em tom de piada, para ser seu vice em 2026 — convite declinado com risos pelos presentes na sala da Primeira Turma do STF.

Nenhuma surpresa no conteúdo, mas clima evitou riscos

Apesar do clima ameno e da ausência de revelações, ministros do STF avaliaram que a admissão da existência de discussões sobre medidas excepcionais, como a minuta do golpe, reforça parte da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR). Bolsonaro, mesmo sem confirmar ações concretas, reconheceu que alternativas foram consideradas após a derrota eleitoral.

A tranquilidade do depoimento, segundo os ministros, ajudou a evitar alegações de cerceamento de defesa e fortaleceu o rito jurídico da ação penal, que segue para a análise final após o encerramento dos depoimentos dos oito réus centrais.

Fontes:
g1.globo.com
cnnbrasil.com.br

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