O aumento do calor e da umidade no estado do Rio de Janeiro favorece a presença de borrachudos, insetos pequenos e silenciosos que costumam incomodar moradores e visitantes em áreas próximas a rios, cachoeiras, trilhas e regiões de mata. Mais comuns em períodos quentes e chuvosos, eles podem causar picadas dolorosas, coceira intensa, inchaço, vermelhidão e irritações na pele.
O alerta é importante principalmente para quem frequenta áreas de natureza, sítios, cachoeiras, praias com vegetação próxima e regiões com água corrente. Embora o incômodo seja comum, especialistas reforçam que a prevenção e o cuidado imediato após a picada ajudam a evitar inflamações, infecções e manchas na pele.
Borrachudos aparecem mais em períodos de calor e chuva
A presença de borrachudos no RJ tende a aumentar nos meses mais quentes e úmidos. Ambientes com água corrente, vegetação densa e sombra favorecem a reprodução desses insetos, o que explica a maior incidência de picadas em trilhas, cachoeiras, rios e áreas de lazer ao ar livre.
O risco costuma ser maior no início da manhã e no fim da tarde, períodos em que os borrachudos ficam mais ativos. Por isso, quem mora ou visita áreas próximas à mata deve redobrar os cuidados nesses horários.
Diferentemente de mosquitos mais comuns, o borrachudo pode provocar uma reação mais intensa na pele. A picada costuma causar dor local, coceira forte e inchaço, especialmente em pessoas com maior sensibilidade.
Picada de borrachudo pode causar coceira, inchaço e vermelhidão
A dermatologista Paola Janina Ledesma, da Hapvida, explica que a reação à picada do borrachudo costuma ser mais forte porque o inseto provoca uma agressão maior à pele durante a alimentação.
“Ele não só pica, ele ‘rasga’ a pele e libera substâncias que provocam uma reação alérgica mais intensa. Por isso a coceira, o inchaço e a vermelhidão costumam ser mais fortes”, afirma.
Na maioria dos casos, a picada provoca um problema localizado na pele. No entanto, o quadro pode piorar quando a pessoa coça demais a região afetada. Esse hábito aumenta o risco de feridas, inflamações e infecções.
“Na maioria das vezes, é um problema de pele. O maior risco acontece quando a pessoa coça muito e acaba inflamando ou infectando o local”, alerta a dermatologista.
Coçar a picada pode piorar a inflamação
Um dos erros mais comuns após a picada de borrachudo é coçar a região com força. Embora a coceira seja intensa, o atrito pode machucar a pele, abrir pequenas feridas e facilitar a entrada de bactérias.
Além disso, receitas caseiras podem piorar a irritação. O uso de álcool, pasta de dente, limão, pomadas sem indicação ou outros produtos improvisados pode provocar ardência, ressecamento, alergia e inflamação.
“Coçar, usar receitas caseiras como álcool ou pasta de dente e não tratar a inflamação são erros comuns que pioram a irritação e podem causar infecção”, explica Paola Janina Ledesma.
A orientação é lavar o local com água e sabonete, evitar manipular a pele e procurar atendimento médico se houver piora dos sintomas.
Manchas na pele podem surgir após a picada
Outro ponto de atenção é o surgimento de manchas depois da cicatrização. Segundo a especialista, a hiperpigmentação pode aparecer quando há inflamação intensa ou quando a pessoa coça repetidamente a região da picada.
“Para evitar, é fundamental não manipular a pele, tratar a reação desde o início e proteger a área do sol”, orienta a dermatologista.
A exposição solar pode escurecer ainda mais a região inflamada. Por isso, quem teve picadas deve proteger a pele, principalmente se a área afetada estiver em braços, pernas, rosto ou outras partes expostas.
Crianças e pessoas com pele sensível exigem mais atenção
Crianças, idosos e pessoas com pele sensível podem apresentar reações mais intensas às picadas de borrachudo. Nesses casos, a coceira, o inchaço e a vermelhidão podem durar mais tempo e causar maior desconforto.
Também é preciso atenção quando há muitas picadas ao mesmo tempo, dor forte, aumento progressivo do inchaço, presença de pus, crostas, febre ou sinais de infecção. Nessas situações, a recomendação é procurar atendimento médico.
O acompanhamento profissional é importante para indicar o tratamento adequado e evitar o uso incorreto de medicamentos ou produtos na pele.
Como evitar picadas de borrachudo
A prevenção é a forma mais eficaz de reduzir o incômodo causado pelos borrachudos. Em áreas de mata, rios e cachoeiras, o ideal é usar repelente, roupas que cubram braços e pernas e evitar exposição prolongada nos horários de maior atividade dos insetos.
Também é recomendado dar preferência a roupas leves, mas com maior cobertura, principalmente em trilhas e locais de vegetação fechada. Em casas próximas à natureza, telas em portas e janelas ajudam a impedir a entrada dos insetos.
A ventilação também pode ajudar, já que borrachudos têm mais dificuldade de se aproximar em ambientes com circulação de ar. Em locais de lazer, a atenção deve ser maior perto de cursos d’água e áreas sombreadas.
Medidas simples ajudam a reduzir irritações
Para quem foi picado, o primeiro cuidado é evitar coçar. Lavar a região com água e sabonete e manter a pele limpa ajuda a reduzir o risco de infecção. Compressas frias podem aliviar o desconforto, mas produtos caseiros devem ser evitados.
Caso a coceira seja intensa ou a reação aumente, a pessoa deve buscar orientação médica. O uso de pomadas, antialérgicos ou outros medicamentos deve ser feito apenas com indicação profissional.
Com a chegada de períodos mais quentes e úmidos no Rio de Janeiro, a tendência é de maior presença de borrachudos em áreas de mata e água corrente. Por isso, moradores e visitantes devem adotar medidas simples de prevenção para evitar picadas, inflamações e manchas na pele.