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Diretor de futebol explica veto do presidente à contratação do irlandês e garante que clube seguirá buscando jogadores pouco conhecidos, mesclando com nomes consagrados

O Flamengo gastou quase R$ 300 milhões na janela de transferências deste semestre, a mais cara da história do clube, mas acabou desistindo da contratação do atacante irlandês Mikey Johnston, monitorado pelo scout rubro-negro e avaliado em 5 milhões de libras (cerca de R$ 37 milhões) pelo West Bromwich, da segunda divisão inglesa.

O veto, que partiu do presidente Rodrigo Bap, gerou um atrito com o diretor executivo de futebol José Boto na época. Em entrevista ao Uol, publicada nesta segunda-feira, o dirigente português criticou a cultura no futebol brasileiro e admitiu um erro de timing:

Acho que houve uma questão de timing, porque se ele não fosse o primeiro, se fosse no meio do Saúl e do Samuel Lino, se calhar a torcida tinha outra reação. É óbvio, o trabalho de scouting é trazer jogadores que ninguém conhece. Eu venho de um país que é bem famoso principalmente por esse tipo de movimentos, vim buscar aqui jogadores como o David Luiz, que em Portugal ninguém tinha ouvido falar. Há uma cultura enraizada de fazer isso em Portugal, que aqui no Brasil vão ter que acabar por fazer. Muitos dos clubes, o Flamengo não, até porque não precisa, mas muitos dos clubes vão ter que começar a fazer isso e gerirem mais para aquilo que são as necessidades reais deles, do que gerirem para fora, para a mídia, para a torcida.

Apesar de dizer que o Flamengo não precisa atacar mercados alternativos pelo seu poderio financeiro, Boto afirmou que vai continuar buscando jogadores pouco conhecidos, como fez com Juninho no início do ano, e citou como exemplo o centroavante sueco Gyökeres, que fez 54 gols em 52 jogos pelo Sporting na última temporada e foi vendido ao Arsenal:

“O Sporting este ano vendeu o Gyökeres por 70 milhões de euros. Se eu quisesse trazê-lo para o Flamengo acho que ninguém diria nada. Mas quando o Sporting, que pagou 20 milhões de euros por ele na segunda liga inglesa, acho que isso aqui era impossível pela reação que vi com uma que custava 5 milhões. Aí nós também temos que ter inteligência de adaptarmos aquilo que são as diferenças culturais e das suas próprias torcidas. Se o Juninho tivesse feito 20 gols, se calhar a gente teria trazido o Mikey Johnston sem grande problema. Mas é óbvio que em um clube como o Flamengo, com a dimensão do Flamengo, acho que tem que fazer um mercado misto entre os jogadores. Os que são realmente nomes impressionáveis e jogadores que, não sendo esses nomes, vão agregar à equipe e vão dar ainda mais anos de rendimento esportivo ou até financeiro.”

Juninho, a primeira contratação de Boto no clube, não conseguiu se firmar. O atacante soma três gols em 27 partidas, sendo apenas sete como titular, e não é relacionado pelo técnico Filipe Luís desde o empate em 1 a 1 com o Ceará, no dia 3 de agosto.

Fonte: Uol / Globoesporte

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