Hoje, Copacabana é reconhecida em praticamente qualquer lugar do mundo. A praia, o calçadão de pedras portuguesas, os grandes edifícios, os hotéis e a movimentada Avenida Atlântica formam uma das paisagens mais conhecidas do Rio de Janeiro. Mas o bairro nem sempre foi esse cartão-postal.
Durante boa parte do século XIX, Copacabana era uma região afastada do núcleo urbano do Rio. O acesso era difícil e podia ser feito pelas ladeiras que levavam à região ou por um caminho mais longo pela Lagoa Rodrigo de Freitas. A transformação começou quando novas formas de transporte aproximaram a área do restante da cidade.
O túnel que mudou o destino de Copacabana
Um dos momentos decisivos aconteceu em 1892, com a abertura do Túnel Velho, hoje chamado oficialmente de Túnel Alaor Prata. A passagem ligou Copacabana a Botafogo e fazia parte do trajeto dos bondes da Companhia Ferro-Carril do Jardim Botânico.
A chegada do transporte regular tornou muito mais fácil chegar à região e ajudou a impulsionar o loteamento das terras. Ruas começaram a ser abertas, terrenos foram divididos e novas construções surgiram. Em poucos anos, aquele antigo areal começou a ganhar características de bairro planejado.
No início, Copacabana atraiu principalmente moradores de maior poder aquisitivo. Casas e palacetes começaram a ocupar a região, enquanto a proximidade com o mar ajudava a construir uma nova ideia de lazer para os cariocas.
A praia deixa de ser apenas um lugar de banho
A relação dos cariocas com o mar também mudou a história de Copacabana.
O banho de mar, que durante muito tempo esteve associado a práticas medicinais, passou gradualmente a ser incorporado ao lazer. Copacabana se beneficiou especialmente dessa mudança de costumes e começou a ser associada a uma vida mais moderna e ligada à praia.
Foi nesse período que a Avenida Atlântica começou a ganhar importância. Inaugurada em 1906, durante as reformas urbanas conduzidas por Pereira Passos, a avenida acompanhou o crescimento do bairro e ajudou a transformar a orla em um dos principais espaços públicos da cidade.
A paisagem também passou a lembrar os balneários europeus, uma referência importante para a imagem que Copacabana começava a construir.
O hotel que colocou Copacabana no mapa
Se os bondes e a Avenida Atlântica ajudaram a criar o bairro moderno, um edifício ajudou a transformá-lo em símbolo de luxo.
Em 1923, foi inaugurado o Copacabana Palace, projetado pelo arquiteto francês Joseph Gire. O hotel foi inspirado em construções da Riviera Francesa e rapidamente se tornou um dos grandes símbolos de sofisticação do Rio.
A presença do hotel valorizou os terrenos ao redor e contribuiu para uma nova fase da ocupação de Copacabana. O bairro começou a deixar para trás os antigos palacetes e a receber cada vez mais edifícios de apartamentos.
A verticalização transformou completamente a paisagem. Ao longo das décadas seguintes, Copacabana se tornou uma das regiões mais densamente ocupadas da cidade, com comércio, hotéis, restaurantes, cinemas e uma intensa vida noturna.
Da elite carioca ao símbolo de uma cidade inteira
Copacabana também deixou de ser apenas um endereço valorizado pela elite. Ao longo do século XX, o bairro passou a reunir diferentes públicos e atividades, tornando-se um dos principais centros de comércio, lazer e turismo do Rio.
A cultura ajudou a consolidar essa imagem.
A região passou a aparecer constantemente em fotografias, filmes, músicas e campanhas turísticas. A paisagem da praia, dos prédios e do calçadão acabou se tornando uma representação do próprio Rio de Janeiro.
A ligação com a música popular também ajudou a reforçar essa identidade. Bares e casas noturnas de Copacabana fizeram parte da vida cultural da cidade e receberam músicos que participaram da transformação da música brasileira nas décadas de 1950 e 1960.
O calçadão que virou uma marca mundial
Poucos elementos são tão imediatamente associados a Copacabana quanto o desenho de ondas da calçada da Avenida Atlântica.
O padrão de pedras portuguesas já fazia parte da tradição da avenida desde o início do século XX. Mas a orla passou por uma grande transformação na década de 1970.
As pistas da Avenida Atlântica foram duplicadas e a praia foi ampliada. O projeto paisagístico das novas calçadas ficou a cargo de Roberto Burle Marx, que reorganizou o espaço e reforçou os desenhos de ondas que se tornaram uma das marcas visuais da cidade.
A nova configuração consolidou a paisagem que hoje aparece em fotografias e transmissões feitas no mundo inteiro.
O Réveillon ajudou a transformar a praia em espetáculo
Outro elemento fundamental para a fama internacional de Copacabana foi o Réveillon.
A festa realizada na praia cresceu ao longo do século XX e transformou a Avenida Atlântica em palco de uma das maiores celebrações de Ano-Novo do mundo. A combinação entre praia, fogos, música e uma enorme concentração de pessoas ajudou a projetar ainda mais a imagem de Copacabana para além do Brasil.
A praia passou, então, a representar diferentes coisas ao mesmo tempo: turismo, lazer, música, vida noturna, grandes eventos e a própria ideia de um Rio aberto para o mar.
Uma paisagem que virou patrimônio
A importância de Copacabana ultrapassou o turismo. A paisagem da região passou a ser reconhecida como parte do patrimônio cultural e paisagístico do Rio.
A praia de Copacabana integra o conjunto de paisagens cariocas reconhecidas pela Unesco como Patrimônio Mundial, justamente pela relação entre natureza, urbanização e cultura que caracteriza a cidade.
É por isso que a fama do bairro não depende de apenas uma atração.
Copacabana foi construída ao longo de mais de um século pela combinação entre praia, transporte, arquitetura, hotéis, música, comércio, grandes eventos e uma paisagem urbana muito particular.
O que começou como uma região afastada e de acesso difícil acabou se transformando em um dos lugares mais reconhecidos do Rio — e em uma imagem que, para muita gente ao redor do planeta, praticamente significa Rio de Janeiro.