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Biogás produzido pela decomposição do lixo é captado em Seropédica e transformado em biometano, combustível que já abastece veículos e empresas no estado

O lixo produzido diariamente no Rio de Janeiro pode ter um destino bem diferente depois que é descartado. Em Seropédica, na Região Metropolitana, o gás liberado pela decomposição dos resíduos é captado e transformado em biometano, um combustível que já é utilizado por veículos, indústrias e postos de abastecimento no estado.

O processo acontece no Centro de Tratamento de Resíduos (CTR) Rio, que recebe aproximadamente 10 mil toneladas de lixo por dia. Boa parte desse material é formada por resíduos orgânicos, como restos de alimentos, que liberam biogás durante a decomposição.

Em vez de deixar esse gás escapar para a atmosfera, o aterro conta com uma rede de tubulações que captura o material e o encaminha para uma unidade de tratamento. Ali, o biogás passa por processos de filtragem e purificação até atingir as características necessárias para ser utilizado como combustível.

Como o lixo vira combustível?

Quando a matéria orgânica presente nos resíduos se decompõe, ocorre a produção de biogás, que contém uma grande quantidade de metano.

Esse gás é captado por tubulações instaladas no aterro e levado para o sistema de tratamento. Depois de passar pelo processo de purificação, o produto final é o biometano, que pode ser utilizado de maneira semelhante ao gás natural em diferentes aplicações.

Segundo as informações divulgadas pelo CTR Rio, a unidade produz atualmente o maior volume de gás de aterro do país.

O combustível já é utilizado por sete indústrias fluminenses e comercializado em 26 postos.

O próprio lixo ajuda a abastecer os caminhões

Uma das aplicações mais curiosas acontece justamente no transporte dos resíduos.

As carretas que levam o lixo produzido no Rio até Seropédica também começaram a utilizar o biometano produzido a partir desses próprios resíduos. Atualmente, 10% da frota já funciona exclusivamente com o combustível.

A previsão é adaptar os 60 veículos que fazem esse transporte até o fim deste ano.

Com a substituição do diesel, a expectativa é retirar do consumo aproximadamente 615 mil litros de combustível por mês, além de reduzir a emissão de poluentes e a presença de fumaça preta e fuligem.

Biometano também chega aos caminhões de coleta

A tecnologia não está restrita às carretas que transportam os resíduos até o aterro.

Segundo o CTR Rio, 100 caminhões da Comlurb utilizados na coleta domiciliar já operam com biometano.

O combustível também pode ser utilizado em veículos originalmente preparados para GNV, desde que sejam realizadas as adaptações necessárias. Além do transporte, o biometano pode abastecer atividades industriais e comerciais.

Um ciclo que começa na rua e volta para a estrada

O resultado cria um ciclo curioso: o resíduo produzido nas casas e nas ruas do Rio é levado para Seropédica, onde sua decomposição gera biogás. Esse gás é tratado e transformado em combustível, que pode voltar a ser utilizado justamente no transporte e na coleta dos próprios resíduos.

A tecnologia transforma parte do que seria apenas descarte em uma fonte de energia e cria uma nova utilização para um subproduto gerado naturalmente durante o tratamento do lixo.

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