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Estudo do Sebrae-RJ aponta que 72,7% dos trabalhadores formais do estado possuem jornadas superiores a 40 horas semanais.

O fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais podem impactar mais de 2,6 milhões de trabalhadores no Rio de Janeiro. A estimativa consta de um levantamento do Sebrae-RJ, elaborado com dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2025.

O número representa 72,7% dos 3,6 milhões de trabalhadores com carteira assinada que possuem jornada registrada no estado.

Além disso, aproximadamente 1,3 milhão dos profissionais potencialmente afetados trabalha em micro e pequenas empresas, segundo o estudo.

A mudança integra a Emenda Constitucional nº 141/2026, promulgada pelo Congresso Nacional em 16 de outubro. A nova regra estabelece dois dias de descanso remunerado por semana e reduz gradualmente a jornada máxima de 44 para 40 horas, sem redução salarial.

Entretanto, os números do Sebrae-RJ consideram os vínculos com jornadas superiores a 40 horas, o que não significa que todos esses trabalhadores cumpram necessariamente a escala 6×1.

Jovens e trabalhadores com menor escolaridade estão entre os mais afetados

O levantamento revela diferenças importantes na distribuição das jornadas de trabalho no estado.

Entre os trabalhadores com ensino fundamental incompleto, 85,6% possuem contratos superiores a 40 horas semanais. Já entre aqueles com ensino superior, o percentual cai para 47,4%.

A diferença também aparece na faixa etária. Entre os jovens de 18 a 24 anos, 81,8% trabalham mais de 40 horas por semana.

Na divisão por gênero, os homens representam 62,1% do total de trabalhadores com jornadas longas. Entretanto, entre todas as mulheres com carteira assinada, 66,8% possuem contratos acima de 40 horas.

Além disso, trabalhadores pretos e pardos representam 59% do grupo com jornadas superiores a 40 horas.

Considerando cada grupo separadamente, 75,7% dos trabalhadores pretos e 76,6% dos pardos possuem contratos acima desse limite.

Trabalhadores com jornadas maiores recebem salários médios menores

O estudo também identificou diferenças na remuneração e no tempo de permanência no emprego.

Segundo o Sebrae-RJ, profissionais com jornadas superiores a 40 horas recebem, em média, R$ 3.158 mensais.

Por outro lado, trabalhadores com contratos de 40 horas semanais apresentam remuneração média de R$ 8.098.

A diferença também aparece no tempo de vínculo empregatício. Quem trabalha mais de 40 horas permanece, em média, 51 meses no emprego, contra 64 meses entre aqueles com contratos de 40 horas.

Os dados mostram diferenças entre os grupos analisados, mas não permitem atribuir a desigualdade salarial exclusivamente à duração da jornada.

Comércio, hotéis e construção civil concentram jornadas longas

Entre os setores econômicos, hotéis, comércio e construção civil apresentam os maiores percentuais de trabalhadores com jornadas superiores a 40 horas.

Nos hotéis, 92,4% dos vínculos ultrapassam esse limite. No comércio, o percentual chega a 92,2%, enquanto a construção civil registra 91,2%.

Em números absolutos, faxineiros, vendedores do comércio varejista e operadores de caixa estão entre as ocupações com maior concentração de trabalhadores nessa condição.

Além disso, 94,1% dos atendentes de lojas e mercados possuem contratos superiores a 40 horas semanais.

Esses dados indicam que a redução da jornada deverá exigir adaptações em atividades que dependem de escalas para manter o atendimento ao público.

Pequenas empresas terão que reorganizar escalas e turnos

As micro e pequenas empresas concentram parte expressiva dos trabalhadores potencialmente impactados pela mudança.

Segundo o levantamento, 80,1% dos vínculos nesses negócios ultrapassam 40 horas semanais. Nas médias e grandes empresas, o percentual é de 66,6%.

A diferença também aparece conforme o número de funcionários.

Entre os estabelecimentos com até quatro empregados, 80,8% dos vínculos possuem jornadas superiores a 40 horas. Já nas empresas com 100 trabalhadores ou mais, o índice cai para 64,9%.

Diante desse cenário, o Sebrae-RJ recomenda que os empresários aproveitem o período de transição para reorganizar turnos, revisar processos internos e avaliar a gestão financeira.

A entidade também orienta os pequenos negócios a analisar preços, gestão de pessoas e canais digitais para adaptar suas operações às novas regras.

Capital concentra 1,28 milhão de trabalhadores com jornadas acima de 40 horas

A cidade do Rio de Janeiro reúne o maior número de profissionais com jornadas superiores a 40 horas semanais no estado.

Segundo o Sebrae-RJ, 1,28 milhão de trabalhadores estão nessa situação na capital fluminense.

Entretanto, outras regiões apresentam percentuais proporcionalmente maiores.

O Centro-Sul Fluminense lidera o levantamento, com 88,1% dos trabalhadores em jornadas superiores a 40 horas. Em seguida, aparecem a Baixada Fluminense, o Médio Paraíba, a Costa Verde e a Região dos Lagos.

Entre os municípios com pelo menos cinco mil trabalhadores celetistas, os maiores percentuais foram registrados em Itatiaia, Paraíba do Sul, Porto Real, Magé e Barra do Piraí.

Depois da capital, Duque de Caxias, Niterói e São Gonçalo concentram os maiores contingentes de trabalhadores com jornadas longas.

Quando começa a valer o fim da escala 6×1?

A Emenda Constitucional nº 141/2026 estabelece uma transição gradual para a nova jornada de trabalho.

A primeira etapa prevê a adoção de dois dias de descanso remunerado por semana e a redução da jornada máxima de 44 para 42 horas, após 60 dias da promulgação.

Posteriormente, após mais 12 meses, o limite semanal será reduzido para 40 horas, totalizando uma transição de 14 meses.

A regra prevê a manutenção dos salários e admite situações específicas de compensação mediante negociação coletiva, além de regimes diferenciados previstos na legislação.

Para os pequenos negócios, o período de adaptação será importante para ajustar a organização do trabalho.

O levantamento do Sebrae-RJ mostra que a mudança poderá alcançar trabalhadores de diferentes setores, faixas etárias e regiões do estado.

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