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Funkeiro relata brutalidade policial, alegando ser julgado criminoso por causa do cabelo vermelho. Comissão de Direitos Humanos da Alerj vai investigar o caso.

Gugu Hawaiano é recebido por comissão da Alerj — Foto: Bárbara Schneider/Divulgação CDDHC

O funkeiro Gugu Hawaiano, integrante do grupo Os Hawaianos, foi agredido por policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) na Cidade de Deus, Zona Sudoeste do Rio, na última sexta-feira (19). Em um depoimento à Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania (CDDHC) da Alerj, o dançarino e empresário relatou que foi violentamente espancado na frente de sua família.

Segundo Gugu, os policiais, ao vê-lo com o cabelo pintado de vermelho, o julgaram como criminoso, agindo com violência injustificada.

Detenção e agressões

De acordo com o relato de Gugu, ele estava em seu comércio com sua sogra e filho quando ouviu muitos tiros. Ao tentar colocar sua família em segurança, foi abordado pelos policiais. “Eu coloquei a mão para o alto e disse que era trabalhador. Mesmo assim, eles me mandaram deitar no chão e me agrediram”, afirmou o funkeiro.

O dançarino foi imobilizado, levado à delegacia e, após ser agredido com socos e chutes, recebeu cinco pontos no rosto. A violência ocorreu sem qualquer justificativa legal e diante de sua família.

Traumatismo familiar

Após a abordagem, Gugu destacou o trauma causado em seus filhos, especialmente em um deles, diagnosticado com transtorno do espectro autista. “Meus filhos estão em pânico. Eles não conseguem dormir e ficam com pesadelos,” revelou o funkeiro.

Além disso, Gugu e sua família afirmam ter sido vítimas de discriminação. “Eu trabalho com minha arte há 18 anos, com esse cabelo. Isso me sustenta”, afirmou ele, lamentando a violência sofrida.

Repercussão no grupo musical

O incidente também teve impacto na carreira de Gugu e Os Hawaianos. Segundo o grupo, contratantes estão reduzindo os cachês e até cancelando shows devido ao ocorrido. O MC Poltin Hawaiano afirmou: “Somos seis famílias que dependem disso. O que aconteceu com o Gugu está afetando a todos nós.”

Pedido de investigação

A Comissão de Direitos Humanos da Alerj afirmou que tomará as providências necessárias, oficiando a Polícia Civil e o Ministério Público para investigar as agressões. A comissão também solicitou o acesso às imagens das câmeras corporais dos policiais envolvidos.

A presidente da comissão, deputada Dani Monteiro, disse: “É um absurdo que um trabalhador da cultura tenha sido vítima de tamanha violência. O MP precisa investigar esse caso com rigor.”

O contexto da operação

A operação policial tinha como objetivo prender suspeitos de envolvimento na morte do policial civil José Antônio Lourenço. No entanto, o confronto resultou na morte de um homem e na prisão de outro, ambos com envolvimento criminal, segundo a polícia.

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