Pesquisar

Iniciativa inclusiva oferece oficinas práticas de navegação e estimula autonomia e sensibilidade sensorial dos participantes.

Projeto no Rio de Janeiro leva pessoas com deficiência visual para velejar – Mubadala Brazil SailGP Team no Instagram/

Na Baía de Guanabara, um veleiro de 40 pés desliza entre as ondas enquanto Fernando Araújo, de 31 anos, comanda o leme com firmeza. Mesmo sem enxergar, ele conduz a embarcação com precisão e segurança. “Vocês estão sendo pilotados por um cego!”, brinca, emocionado, diante dos demais tripulantes.

O momento faz parte de um projeto inclusivo realizado no Rio de Janeiro, que leva pessoas com deficiência visual ou auditiva a experimentarem a navegação a vela. A iniciativa, liderada pela engenheira ambiental e regatista Juliana Poncioni Mota, aconteceu em uma marina com vista para o Pão de Açúcar e combinou aulas teóricas e práticas durante três dias de imersão.

Inclusão além do discurso

Mais do que permitir o contato com a vela, o projeto investe na formação inclusiva. Instrutores e participantes aprendem juntos a adaptar a linguagem, o tato e o som para tornar a navegação compreensível a todos. “Normalmente, quem tem deficiência acaba se isolando. Mas aqui eu me senti desafiado e acolhido”, contou Araújo, que também é atleta de skate adaptado.

Segundo Juliana, a ideia surgiu quando ela velejava com Pedro, um menino cego de 13 anos. Ao dizer “olha que lugar lindo”, percebeu que precisava transformar sua percepção visual em experiências sensoriais acessíveis. “Foi aí que entendi o quanto era necessário mudar a abordagem”, relatou.

Oficinas, sensações e protagonismo

As oficinas abordaram desde técnicas de manobra e orientação pelo vento até segurança a bordo. Participantes aprenderam a sentir o comportamento do barco com os pés e usar o som das velas para guiar decisões. Eduardo Soares, professor de educação física e montanhista, viajou de São Paulo para participar: “Há 30 anos, seria impossível. Hoje, com projetos assim, tudo está mais acessível”.

O Brasil abriga cerca de 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual e 2,3 milhões com deficiência auditiva, conforme dados do IBGE. Embora a Lei Brasileira de Inclusão de 2015 tenha estabelecido diretrizes para garantir o acesso ao esporte e lazer, experiências como essa ainda são raras.

Sensibilidade e autonomia no mar

Juliana destacou a habilidade surpreendente dos participantes: “Eles conseguem navegar milimetricamente, mesmo sem visão. A sensibilidade sensorial é o que faz a diferença”. O projeto também inspira instituições a promoverem novas iniciativas de inclusão esportiva e educacional.

Fonte: folha.uol.com.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também pode gostar

Projeto prevê encontros com famílias, profissionais da educação e especialistas para discutir práticas voltadas à educação especial

Houve uma época em que ir ao cinema era também uma forma de ocupar a cidade.

Últimas notícias
IMAGENS PARA O SITE - 2026-09-17T095302.768
Ponte Rio-Niterói terá teste de radar que calcula velocidade média

Tecnologia será avaliada em trecho de 9 quilômetros no sentido Niterói, mas experimento não poderá gerar multas

IMAGENS PARA O SITE - 2026-09-17T094939.613
Chuva e temperaturas amenas devem marcar esta quinta-feira no Rio

Previsão indica céu nublado, chuva ao longo do dia e máxima de 24°C na capital fluminense

IMAGENS PARA O SITE - 2026-09-17T094322.372
Praça Marechal Âncora terá novo espaço de lazer, cultura e gastronomia

Projeto prevê área aberta ao público na região central e estrutura de até 4 mil metros quadrados integrada à Baía de Guanabara