Pessoas diagnosticadas com fibromialgia no Estado do Rio de Janeiro passam a contar com uma nova forma de identificação. A Lei 11.283/26, aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e sancionada pelo Poder Executivo, criou a Carteira de Identificação da Pessoa com Fibromialgia (Cipfibro).
O documento tem como objetivo reconhecer oficialmente pacientes que convivem com a doença e garantir direitos, incluindo atendimento preferencial em órgãos da Administração Pública e instituições privadas.
A lei foi publicada no Diário Oficial nesta quinta-feira (16/07).
Doença atinge milhões de brasileiros
A fibromialgia é uma condição marcada principalmente por dores intensas espalhadas pelo corpo e pode levar pacientes a uma longa jornada até obter o diagnóstico.
Segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), cerca de 6 milhões de brasileiros convivem com a doença, número que representa aproximadamente 3% da população.
A maior parte dos pacientes são mulheres: entre cada 10 pessoas diagnosticadas, de sete a nove são do sexo feminino.
Sintomas e desafios do diagnóstico
O médico ortopedista Guilherme Pacheco explica que, além das dores generalizadas, a fibromialgia pode apresentar outros sintomas.
Entre eles estão:
- fadiga;
- sono não reparador;
- dor de cabeça;
- dificuldade de concentração e memória;
- constipação;
- parestesias;
- sensação de corpo quente;
- dor pélvica durante relação sexual;
- baixa libido;
- ansiedade;
- depressão.
Segundo o especialista, a doença costuma afetar principalmente mulheres entre a terceira e a quinta década de vida e não possui cura.
Tratamento envolve cuidados contínuos
O tratamento da fibromialgia pode envolver medicamentos e mudanças no estilo de vida.
De acordo com Guilherme Pacheco, atividades físicas regulares, caminhadas leves, hidroginástica, psicoterapia e atividades manuais podem auxiliar na redução das crises.
O acompanhamento também pode incluir medicamentos como analgésicos e antidepressivos, além de outros procedimentos indicados por profissionais de saúde.
Carteira permitirá identificação dos pacientes
A Cipfibro será destinada a pessoas com diagnóstico de fibromialgia.
Para solicitar o documento, será necessário apresentar um requerimento acompanhado de relatório médico com indicação do código da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID).
A revalidação da carteira deverá ocorrer independentemente da apresentação de um novo relatório médico.
O documento deverá conter:
- nome completo;
- data de nascimento;
- número da carteira de identidade;
- CPF;
- fotografia;
- assinatura do titular.
A carteira poderá ser disponibilizada em formato físico e digital.
O Poder Executivo ficará responsável por definir os procedimentos de disponibilização, autenticação e validação da versão eletrônica.
Pacientes relatam expectativa com nova medida
A jornalista Juliana Rosa, diagnosticada com fibromialgia há 20 anos, contou que enfrentou dificuldades até receber o diagnóstico correto.
Segundo ela, passou por diferentes avaliações médicas antes de descobrir a causa das dores.
Juliana afirma que as crises podem afetar atividades da rotina, como trabalhar, dirigir e caminhar.
A aposentada Marlene Neves também relatou a dificuldade de conviver com a doença e destacou o impacto da espera prolongada em atendimentos.
Para as duas pacientes, a criação da carteira representa uma forma de reconhecimento e acolhimento.
Documento busca garantir mais acessibilidade
Com a entrada em vigor da Cipfibro, pacientes diagnosticados com fibromialgia passam a ter um documento oficial para comprovar a condição.
A expectativa é que a identificação facilite o acesso ao atendimento prioritário e reduza dificuldades enfrentadas por pessoas que convivem com dores e limitações causadas pela doença.
Fontes: alerj.rj.gov.br