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Movimentação no mar Báltico eleva tensões na região; investigações buscam esclarecer possíveis ataques.

A Otan anunciou o envio de navios, aeronaves de patrulha e drones ao Mar Báltico para reforçar a proteção de infraestruturas críticas na região, após uma série de incidentes envolvendo danos a cabos de energia, telecomunicações e gasodutos. A ação, batizada de Baltic Sentry (Sentinela do Báltico), foi comunicada pelo secretário-geral da Aliança Atlântica, Mark Rutte, em coletiva nesta terça-feira, após uma reunião de líderes em Helsinque.

Segundo Rutte, a mobilização busca “usar os meios militares certos, nos lugares certos e na hora certa” para prevenir futuros atos de desestabilização. Além disso, medidas contra embarcações suspeitas, como abordagens e apreensões, também estão sendo discutidas.

Os incidentes incluem o caso do cabo de energia submarino Estlink 2, que conecta Finlândia e Estônia, e de quatro cabos de telecomunicações danificados no final de dezembro. A polícia finlandesa suspeita que o navio petroleiro Eagle S, associado à chamada “frota sombra” russa, tenha causado os danos ao arrastar sua âncora pelo fundo do mar. O petroleiro, que transportava petróleo russo, foi apreendido em Porvoo, e sua tripulação está proibida de deixar o país.

Contexto de guerra híbrida

Especialistas e líderes ocidentais descrevem os ataques como parte de uma “guerra híbrida” envolvendo a Rússia. Essa estratégia combina táticas militares convencionais com ações de sabotagem e influência para desestabilizar adversários. O presidente da Finlândia, Alexander Stubb, afirmou que há vínculos claros entre os danos aos cabos e atividades russas, embora ainda seja cedo para tirar conclusões definitivas sobre a responsabilidade direta do Kremlin.

A tensão também se reflete em outros casos na região. Apesar de relatos da mídia local de que navios russos da “frota sombra” estariam próximos ao gasoduto Baltic Pipe, o exército polonês negou tais movimentações.

Desafios e medidas futuras

Com cerca de 2.000 navios cruzando o Mar Báltico diariamente, garantir proteção total é um desafio, como apontou o presidente da Letônia, Edgars Rinkevics. No entanto, ele destacou que “sinais claros e ousados” podem ajudar a reduzir ou até mesmo cessar os incidentes.

A Otan e seus membros continuam a buscar formas de fortalecer a segurança na região, incluindo sanções mais severas contra a frota paralela russa e as companhias de navegação envolvidas. Para o chanceler alemão Olaf Scholz, essas medidas são essenciais não apenas para a proteção de infraestruturas críticas, mas também para a preservação do meio ambiente.

Danos a cabos submarinos não são raros, com cerca de 150 a 200 ocorrências anuais registradas globalmente, sendo a maioria acidental. No entanto, os recentes episódios no Mar Báltico acenderam um alerta máximo entre os países da aliança.

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