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Ministério Público denuncia 11 pessoas por organização criminosa, corrupção, fraude em licitações e lavagem de dinheiro; Justiça determinou prisões, bloqueio de bens e afastamento de servidores.

Foto: Reprodução/ TV Globo

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagrou, nesta quinta-feira (9), uma operação para desarticular um suposto esquema de desvio de recursos públicos no Instituto Rio Metrópole (IRM). A investigação aponta prejuízo estimado em R$ 86,28 milhões aos cofres públicos e resultou na denúncia de 11 pessoas pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitações e contratos e lavagem de dinheiro.

Durante a operação, agentes cumpriram mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão na capital, em São Gonçalo e Teresópolis. As medidas foram autorizadas pela Justiça após representação do Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (GAESF/MPRJ).

Presidente do instituto é apontado como líder do esquema

Segundo a denúncia do Ministério Público, o presidente do Instituto Rio Metrópole, Davi Perini Vermelho, conhecido como Didê, liderava o núcleo formado por servidores públicos investigados.

O MPRJ afirma que ele autorizava contratações, assinava contratos e controlava pagamentos realizados pela autarquia.

Também tiveram a prisão preventiva decretada o diretor de Desenvolvimento Metropolitano Integrado do IRM e delegado da Polícia Civil, Franquis Dias Nepomuceno; o ex-procurador-geral do instituto, Marcelo Lopes da Silva; Caroline Soares Barros, presidente do Instituto BIO e fiscal de contratos; Amanda Íthala Santos da Paschoa, que assumiu posteriormente a fiscalização dos contratos; e Maurício Silva Knoploch dos Santos, diretor de Planejamento e Projetos do IRM.

Segundo o Ministério Público, Maurício Knoploch ainda não havia sido localizado até a divulgação das informações e era considerado foragido.

Outros cinco denunciados responderão ao processo em liberdade, mediante medidas cautelares determinadas pela Justiça, como monitoramento eletrônico, comparecimento periódico e proibição de deixar o país.

Como funcionava o suposto esquema

De acordo com a investigação, o Instituto Rio Metrópole celebrou contratos com as empresas Engeconsult Consultores Técnicos Ltda. e R. Peotta Engenharia e Consultoria Ltda.

Segundo o Ministério Público, parte dos recursos pagos às empresas era posteriormente transferida ao Instituto BIO, entidade apontada pelos investigadores como sem estrutura operacional compatível para executar os serviços contratados.

Ainda conforme a denúncia, os valores eram sacados em espécie e transportados por uma empresa privada de segurança armada, prática que, segundo o MPRJ, buscava dificultar o rastreamento do dinheiro.

As investigações começaram em janeiro deste ano, após Caroline Soares Barros ser flagrada transportando R$ 500 mil em dinheiro vivo, sacados em uma agência bancária de Teresópolis.

A perícia realizada em equipamentos eletrônicos apreendidos identificou 28 transferências financeiras das empresas investigadas para o Instituto BIO, que totalizaram aproximadamente R$ 3,29 milhões.

Governo afirma que auditoria identificou irregularidades

Em nota, o Governo do Estado informou que a investigação teve origem em auditorias realizadas pela Controladoria-Geral do Estado (CGE) e pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Segundo o Executivo estadual, os relatórios apontaram indícios de irregularidades nos contratos do Instituto Rio Metrópole e foram encaminhados ao Ministério Público, responsável pela investigação criminal.

O governo também destacou que a atual presidência do IRM possui mandato fixo até dezembro de 2026 e não ocupa cargo de livre nomeação e exoneração.

Justiça determina bloqueio de bens

Além das prisões, o Ministério Público solicitou o bloqueio e o sequestro de bens dos investigados e das empresas envolvidas até o limite de R$ 86.280.427,03.

O órgão também pediu a condenação solidária dos denunciados ao pagamento de R$ 200 milhões por danos morais coletivos, além da suspensão imediata dos contratos investigados e do afastamento dos agentes públicos denunciados.

As investigações continuam e o Ministério Público informou que novas diligências poderão ampliar o alcance da apuração.

O que é o Instituto Rio Metrópole

O Instituto Rio Metrópole é uma autarquia vinculada ao Governo do Estado responsável pelo planejamento e pela coordenação de políticas públicas de interesse comum da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Entre suas atribuições estão a elaboração de projetos nas áreas de mobilidade urbana, habitação, saneamento, infraestrutura, desenvolvimento regional e meio ambiente.

Fontes: odia.ig.com.br

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