A Prefeitura do Rio e o Governo do Estado anunciaram, nesta terça-feira (1º), a criação do Núcleo Integrado de Combate a Furtos e Receptação de Cabos, uma estrutura permanente voltada ao enfrentamento do furto de cabos e outros componentes da infraestrutura urbana.
A iniciativa busca integrar informações de órgãos públicos, forças de segurança e concessionárias para combater uma cadeia criminosa que envolve desde o furto dos materiais até a receptação e comercialização ilegal.
Segundo a Prefeitura, apenas nas redes municipais de iluminação pública e sinalização semafórica, os prejuízos já ultrapassam R$ 69 milhões.
Núcleo terá atuação baseada em inteligência
O novo núcleo será coordenado pela Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) e contará com representantes dos órgãos do Sistema Municipal de Segurança, da RioLuz, da CET-Rio e de outros setores envolvidos no combate ao problema.
Também poderão participar das ações representantes das secretarias estaduais de Segurança Pública, Polícia Civil, Polícia Militar, concessionárias de serviços públicos, empresas de energia e telecomunicações.
O objetivo é reunir dados para identificar:
- locais com maior incidência de furtos;
- horários e padrões das ações criminosas;
- estabelecimentos suspeitos de receptação;
- rotas de transporte e armazenamento dos materiais.
A estratégia prevê operações contra toda a estrutura do crime, incluindo furto, transporte, armazenamento, compra e venda dos cabos.
Furto de cabos já causou milhões em prejuízos
De acordo com os dados apresentados pela Prefeitura, entre 2021 e 2026, foram registradas 94.824 ocorrências relacionadas ao furto de cabos da iluminação pública.
No período, foram levados aproximadamente 1.816 quilômetros de cabos, causando prejuízo estimado em R$ 42 milhões.
Na rede de semáforos administrada pela CET-Rio, os danos chegam a cerca de R$ 27 milhões, considerando manutenção e reposição de equipamentos.
Nesse sistema, foram furtados 457 quilômetros de cabos e 488 controladores de sinais.
Novo núcleo também vai combater receptadores
Além da atuação nos pontos onde os furtos acontecem, a Prefeitura pretende ampliar o combate aos locais que recebem e comercializam materiais de origem irregular.
Entre as medidas previstas estão:
- fiscalização de ferros-velhos e estabelecimentos de sucata;
- verificação da origem dos materiais;
- apreensão de produtos irregulares;
- interdição de locais sem autorização;
- compartilhamento de informações com órgãos de investigação.
A Prefeitura também informou que poderá avaliar medidas administrativas mais rígidas, incluindo a possibilidade de desapropriação de imóveis em situações previstas pela legislação.
Medidas para proteger semáforos e iluminação
Como parte da estratégia, a CET-Rio iniciou a substituição dos cabos de cobre utilizados nos semáforos por um novo material sem valor comercial.
O novo cabeamento tem cor laranja e traz a identificação de que o material não possui valor de mercado, reduzindo o interesse de criminosos.
A substituição será feita gradualmente, principalmente em locais que registram maior número de ocorrências.
A RioLuz também vem adotando medidas como troca de cabos por materiais alternativos, concretagem de caixas de passagem e instalação de equipamentos antifurto.
Light registra R$ 10,4 milhões em prejuízo em 2026
A Light também enfrenta impactos causados pelo furto de cabos.
Entre janeiro e julho de 2026, a concessionária registrou 780 ocorrências, com mais de 78 quilômetros de cabos furtados e prejuízo estimado em R$ 10,4 milhões.
Entre 2023 e 2025, foram identificadas 1.571 ocorrências, com cerca de 435 quilômetros de cabos levados, causando prejuízo aproximado de R$ 45 milhões e afetando o fornecimento de energia para milhares de clientes.
A empresa mantém parceria com o Disque-Denúncia e orienta que informações sobre furtos ou suspeitas de receptação sejam repassadas de forma anônima.
Fonte: prefeitura.rio