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Antropólogo brasileiro é premiado com o “Nobel” do meio ambiente por suas pesquisas sobre sustentabilidade e comunidades amazônicas

O cientista brasileiro Eduardo Brondízio foi um dos vencedores do Tyler Prize for Environmental Achievement 2025, uma das mais prestigiadas premiações ambientais do mundo. O antropólogo, que atua na Universidade de Indiana (EUA) e na Unicamp (Brasil), divide a honraria com a ecóloga argentina Sandra Díaz. Pela primeira vez em 52 anos, o prêmio reconhece cientistas da América do Sul.

Os pesquisadores receberão juntos US$ 250 mil (cerca de R$ 1,49 milhão) pelo impacto de seus estudos sobre biodiversidade, sustentabilidade e mudanças climáticas. Brondízio destaca a necessidade de integrar questões sociais e ambientais nas políticas de preservação e reforça a urgência de um modelo econômico que valorize comunidades locais.

Pesquisas e impacto global

Com mais de 35 anos de carreira, Brondízio se tornou referência em antropologia ambiental, investigando como populações tradicionais da Amazônia manejam recursos naturais e enfrentam desafios socioeconômicos. Seu trabalho ajudou a evidenciar o papel das comunidades ribeirinhas e indígenas na conservação do bioma.

O pesquisador também é coautor de um estudo publicado na revista Nature, que analisou como a produção de alimentos e as mudanças climáticas afetam empregos rurais em países em desenvolvimento. O levantamento indicou que, desde 1991, cerca de 200 milhões de postos de trabalho desapareceram no setor, e outros 120 milhões estão em risco até 2030. Pequenos agricultores e comunidades tradicionais são os mais vulneráveis a esses impactos.

A relação de Brondízio com a Amazônia

A atuação do antropólogo brasileiro vai além das pesquisas acadêmicas. Ele defende a bioeconomia como alternativa para equilibrar desenvolvimento socioeconômico e sustentabilidade na região amazônica. Segundo Brondízio, a pobreza e o desemprego precisam ser considerados nas estratégias de conservação.

Em parceria com Sandra Díaz e outros especialistas, ele liderou um relatório global de biodiversidade divulgado pelas Nações Unidas. O documento revelou que mais de 1 milhão de espécies estão ameaçadas de extinção devido à degradação ambiental e às mudanças climáticas.

Premiação e reconhecimento

A cerimônia de entrega do Tyler Prize 2025 acontecerá no dia 10 de abril, em Los Angeles (EUA). A premiação, criada em 1973, já reconheceu cientistas de renome como Jane Goodall e Michael Mann. Este ano, destaca o protagonismo do Sul Global na luta contra a crise climática.

Brondízio celebra a conquista, mas alerta para a necessidade de políticas ambientais que unam ciência e justiça social. Segundo ele, a conservação ambiental não pode ignorar os desafios enfrentados pelas populações locais.

Fontes:
badevalor.com.br
apufsc.org.br
ajn1.com.br

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